Divagações sobre a “Declaração de Fé Congregacional da UIECB” (Minuta do DET): Art. 24, Parte 4
Do Governo e dos Oficiais das Igrejas
Artigo 24 – Cremos que as igrejas devem se organizar como comunidades autônomas, administrativamente independentes umas das outras2⁴3, embora ligadas pela fraternidade da fé e pela comunhão no evangelho2⁴⁴, cujos membros reunidos em assembleia constituem o órgão que deve conhecer e executar a vontade de Jesus Cristo2⁴⁵, e que são supervisionadas por oficiais qualificados e por elas eleitos2⁴⁶, espiritualmente, pelos presbíteros ou bispos, que desempenham as funções de pastor e mestre em variados graus de responsabilidade2⁴⁷, e, quanto às necessidades temporais, pelos diáconos e diaconisas2⁴⁸, devendo ambos receberem a devida honra2⁴⁹.
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243 Atos 11.22-26; 13.1-3; Apocalipse 2,3. 244 Romanos 15.25-27; 1Coríntios 16.1-3; 2Coríntios 8.3-9; 9.1,2. 245 Mateus 18.15-20; Atos 1.15-26; 11.29; 1Coríntios 5.1-8. 246 Atos 6.1-6; 14.23. 247 Atos 20.17,28; Colossenses 1.7; 4.12; 1Timóteo 3.1-7; 5.17; Tito 1.5-9; Tiago 5.14; 1Pedro 5.1-4. 248 Romanos 16.1; Filipenses 1.1; 1Timóteo 3.8-13. 249 Filipenses 2.29; 1Tessalonicenses 5.12,13; 1Timóteo 3.13; Hebreus 13.17.
Ainda tratando sobre os caminhos pelos quais percorreu o congregacionalismo nos dois lados do Atlântico, registramos o contexto histórico de dois dos seus mais importantes documentos, quais sejam, a Declaração de Savoy e a Platarforma de Cambridge. Oportunamente, veremos também a ascensão do movimento congregacionalista, como também seu declínio face à influência do iluminismo e do afastamento da Ortodoxia Protestante.
1. À situação já conturbada ao governo de Carlos I no trono inglês somou-se novos problemas quando ele tentou impor aos escoceses, em 1637, o Livro de Oração Comum. Os escoceses, em resistência, invadiram a Inglaterra em duas ocasiões e o rei precisou convocar o Parlamento para lhe dar suporte nessas batalhas. Convocado, o Parlamento entrou em choque com Carlos, mas estava dividido quanto à forma de governo da Igreja. Nele, havia membros episcopais, que formavam o Partido Monarquista, bem como membros puritanos presbiterianos e congregacionais (também conhecidos como Roundheads, os Cabeças-Redondas), que integravam o Partido Parlamentar. Em 1640, o Parlamento restringiu o poder de Carlos. Quando este tentou punir os opositores, eclodiu a guerra civil, em 1642, que perdurou até 1648. Os membros monarquistas deixaram Londres para unir-se às forças que defendiam o rei. Sobretudo pela habilidade militar de Oliver Cromwell (1599-1658), finalmente ocorreram a vitória puritana e a oportunidade de reformar a Igreja Anglicana.
2. Para tanto, em 1643, o Parlamento instaurou a Assembleia de Westminster, em Londres, assim chamada por reunir-se na abadia de Westminster. A Assembleia se reuniu de 1643 a 1649, em 1163 sessões diárias. Era composta por 121 ministros ingleses, 30 membros do Parlamento, além de 8 presbiterianos escoceses. Dentre os ingleses, encontravam-se episcopais, erastianos, independentes (incluindo Thomas Goodwin) e presbiterianos. A maioria desses homens era calvinista. A divergência envolvia a forma de governo da Igreja. Os independentes, que defendiam os princípios congregacionalistas e eram uma voz minoritária, não dividiram em torno do tema polêmico, pois, segundo Shelley, “procuraram alguma forma de expressar a unidade cristã mesmo quando os cristãos não concordavam”. Richard Baxter, que não fez parte da Assembleia, afirmou sobre ela: “Os teólogos aí congregados eram homens de grande erudição, piedade, capacidade ministerial e fidelidade (…) e segundo a informação de toda História a esse respeito e de outras fontes de evidência, o mundo cristão nunca teve, desde os dias apostólicos, um sínodo de teólogos mais excelentes do que este e o Sínodo de Dort” (Guilherme Kerr).
3. Os principais resultados dessa magnânima Assembleia foram a Forma de Governo de Igreja e Ordenação, concluída em 1645 e adotada pelo Parlamento em 1648, que advogava o sistema presbiterial para a Igreja da Inglaterra; a Confissão de Fé de Westminster, concluída em dezembro de 1646 e aprovada em 22 de março de 1648; o Catecismo Menor para a instrução das crianças, concluído em 1647; e, o Catecismo Maior para uso no púlpito, concluído em 1648. Dessa forma, em 1648, a Igreja oficial da Inglaterra tornou-se presbiteriana calvinista, regida pelos documentos redigidos na Assembleia de Westminster, e assim permaneceu até 1658.
4. Quando os congregacionais da América souberam que na Inglaterra havia sido adotado o presbiterianismo, na Assembleia de Westminster, convocaram um sínodo em Cambridge, Massachusetts. Sua finalidade era a de formular uma plataforma política de governo congregacional, como forma de proteção ante uma possível imposição do presbiterianismo pela coroa nas colônias. Foi aprovado um documento com dezessete capítulos, sobre os quais Joelson fez as seguintes pontuações: “Foi rejeitado o termo “independente” para suas igrejas e adotado o termo “Congregacional” (II. 6). Reafirmaram que a escolha de seus ministros era dever apenas da igreja, e não de magistrados ou bispos (VIII. 9). Concordaram que uma pessoa para ser admitida na Ceia do Senhor deveria ter feito confissão pública de fé, e arrependimento (XII. 2), e dar provas de uma autêntica experiência cristã… Também foi acordado que para que um filho pequeno fosse batizado seus pais deveriam dar provas de conversão…”.
5. Em 1648, a guerra entre os vinte mil homens de Cromwell (os Ironsides, isto é, “oposição de ferro”) e as forças do rei recomeçou. Dessa vez, Cromwell derrotou os aliados do rei, expulsou os presbiterianos da Casa dos Comuns e o remanescente do Parlamento criou uma alta corte para julgar Carlos I. Em janeiro de 1649, o rei foi levado ao patíbulo e executado. Com o Parlamento abolido, a Casa dos Comuns proclamou a república da Inglaterra – a Commonwealth. Mas, 1653, o exército depôs a Commonwealth e instaurou o Protetorado, através do qual Cromwell governou ditatorialmente até 1658, quando morreu, morrendo com ele o governo puritano. Durante o conturbado período, compreendido entre 1648 a 1658, os congregacionais gozaram de relativa liberdade, embora o congregacionalismo fosse visto por muitos como apenas mais uma seita puritana. Nessas circunstâncias favoráveis, eles entenderam que poderiam repetir o que se dera na Assembleia de Westminster, com isso garantindo a uniformidade entre as igrejas separatistas e demonstrando tratar-se de um movimento protestante ortodoxo.
6. Pouco antes da sua morte, Cromwell consentiu que se convocasse a assembleia dos congregacionais. Em julho de 1658, um grupo de congregacionais decidiu que a reunião ocorreria em Londres e que se deveria inscrever os ministros congregacionais de todo o país, tarefa que ficou a cargo de George Griffith, para que se divulgasse em todas as igrejas. As reuniões ocorreram no Palácio de Savoy, poucos dias após a morte de Cromwell, de 29 de setembro a 12 de outubro de 1658. Participaram daqueles doze dias cerca de duzentos delegados de cento e vinte igrejas, cujo resultado foi a aprovação unânime da Declaração de Savoy de Fé e Ordem. John Owen (1616-1683) foi um dos líderes mais proeminentes. A declaração dos congregacionais se coloca expressamente a favor da Confissão de Westminster, devendo ser destacadas as seguintes alterações: a) Os Capítulos XXX (Das Censuras da Igreja) e XXXI (Dos Sínodos e Concílios) de Westminster são omitidos; b) Os Capítulos de Westminster XXIII (Do Magistrado Civil, XXIV em Savoy), XXIV (Do Casamento e do Divórcio, XXV em Savoy) e XXVI (Da Igreja, XXV em Savoy) são modificados; c) O Capítulo XX (Do Evangelho) é inserido em Savoy, sem correspondente em Westminster. Sobre a assembleia no Palácio de Savoy, Joelson teceu os seguintes comentários: “James Forbes, Gloucester, disse anos depois que tudo era como ver um “céu na terra”. Os discursos ouvidos eram maravilhosos, ele nunca tinha ouvido iguais. O evento foi considerado como uma grande obra do Espírito Santo, que fez com que tão numeroso grupo de ministros e outros irmãos tivessem, rapidamente e em conjunto, preparado tal corpo de verdades divinas”.
7. Quando Charles II morreu, foi sucedido por seu filho James II, em 1685, um convicto católico romano. Entretanto, a má política de James II fez estourar a denominada “Revolução Gloriosa”. A razão dessa revolução reside no fato de a nobreza inglesa não haver concordado com a nomeação, por James II, do seu filho recém-nascido como herdeiro da coroa, em detrimento de sua herdeira legítima e filha Mary, que havia se casado com o príncipe protestante holandês Guilherme de Orange. Como resultado, James II fugiu e Mary e Guilherme (Guilherme III) foram proclamados soberanos da Inglaterra e da Escócia, em fevereiro de 1689. Em 24 de maio de 1689, foi assinado o “Ato de Tolerância”, que concedia liberdade de culto a todos que jurassem lealdade aos soberanos, exceto aos unitários, católicos romanos e judeus. Livres para adorarna Inglaterra, os congregacionais cresceram rapidamente. Por volta de 1710, estima-se que havia 380 igrejas congregacionais no país. Joelson ressalta que muitas igrejas que nasceram a partir da pregação de George Whitefield (1714-1770) tornaram-se congregacionais. Por volta de 1830, havia cerca de 1600 igrejas congregacionais na Inglaterra e, por volta de 1850, cerca de 3200 igrejas. Em 21 de setembro de 1795, foi fundada a Sociedade Missionária de Londres, sobretudo pelo empenho de David Bogue, pastor da Igreja Congregacional em Gosport.
8. Várias foram as associações de igrejas congregacionais criadas na Inglaterra, a exemplo da União Nacional Congregacional, que surgiu em maio de 1831. Em 1967, a União Congregacional da Inglaterra e País de Gales se transformou em Igreja Congregacional da Inglaterra e País de Gales. Ante à flagrante contradição de termos, igrejas formaram uma Associação Congregacional para lutar contra as tendências centralizadoras do congregacionalismo. Em seguida, a Igreja Congregacional da Inglaterra e País de Gales e a Igreja Presbiteriana da Inglaterra fizeram juntas a Igreja Reformada Unida, em 1972, fruto da união entre presbiterianos e congregacionais da Inglaterra e País de Gales. Com essa união, muitas igrejas congregacionais se uniram para formar a Federação Congregacional, com origem também em 1972. A Capela de Westminster, de Martyn Lloyd-Jones, fazia parte da antiga União Congregacional da Inglaterra e País de Gales, mas dela se desfiliou por discordar da formação da Igreja Reformada Unida e passou a fazer parte da Fraternidade de Igrejas Congregacionais Independentes. Além dessas associações, existem também a Fraternidade Evangélica de Igrejas Congregacionais e a União Independente de Gales.
9. Pouco mais de um século após a chegada dos congregacionais no Novo Mundo, aconteceu o movimento religioso mais influente na história dos Estados Unidos: O Primeiro Grande Despertamento. Dele fizeram parte muitos pregadores e igrejas congregacionais, dentre eles Jonathan Edwards, além de pregadores presbiterianos, tais como Gilbert Tennent (1703-1764), e anglicanos, a exemplo de George Whitefield. Tudo começou em 1726, quando um despertamento religioso ocorreu em Fariton Valley, New Jersey, no pastorado de Theodorus J. Frelinghuysen. No pastorado de Edwards, em Northampton, fatos marcantes ocorreram em junho de 1734. Primeiro, um jovem admirado de Northampton foi acometido de uma repentina doença e morreu em dois dias. Edwards aproveitou-se da situação e pregou um sermão comovente a partir do Sl 90:5, 6, demonstrando como a juventude é passageira e quanta tolice há em centralizar a vida em paixões efêmeras. O sermão “Uma Luz Divina e Sobrenatural” foi pregado originalmente naquele ano (1734). Nesse sermão, Edwards respondeu o que era para ele a questão mais essencial da existência: o que significa ter o coração mudado numa experiência de conversão? Edwards viu os resultados de suas mensagens profundamente inquietantes ainda em 1734, quando, em dezembro daquele, uma poderosa obra do Espírito teve início, a partir de uma série de sermões sobre a justificação pela fé. O impacto foi impressionante!
10. Os acontecimentos em Northampton impressionaram Edwards e, a partir de um relato mais compacto emitido a Benjamin Colman, o principal ministro de Boston, ele escreveu a obra do Espírito experimentada em fins de 1734 em “Uma Narrativa Fiel da Surpreendente Obra de Deus” (“A Faithful Narrative of the Surprising Work of God”), livro republicado em Edimburgo, em 1737/38, e na Alemanha, em 1738. A narrativa, certamente, foi deveras inspiradora aos Wesley, Whitefield e seus associados. Mas entre os anos de 1739/40, Edwards estava desanimado porque o ardor dos despertamentos de 1734/35 havia esfriado. Nesse contexto, ele soube que George Whitefield planejava uma nova viagem à América e escreveu ao pregador inglês convidando-o a vir à Northampton, enquanto Whitefield já havia escrito a Edwards sugerindo a mesma coisa.
11. Cedendo a convite insistente dos irmãos Wesley, Whitefield já havia estado na América no segundo semestre de 1737, onde permaneceu por cerca de um ano. Quando retornou ao Novo Mundo, suas mensagens poderosas, entre os anos de 1739 e 1740, tornaram-no uma celebridade. Suas pregações ao ar livre reuniam entre 6.000 e 10.000 pessoas. Após semanas de pregação, Whitefield pregou seu sermão de despedida em Boston para uma multidão estimada entre 23.000 e 30.000 pessoas. De Boston, o evangelista viajou alguns quilômetros a cavalo para passar um fim de semana em Northampton. Enquanto pregou na igreja de Northampton, o “bom Sr. Edwards chorou durante todo o tempo” em um dos sermões de domingo, escreveu Whitefield mais tarde. Foi nessa época que explodiu o que ficou conhecido como o “Primeiro Grande Avivamento”. Ninguém tinha visto nada semelhante antes. “Por toda a Nova Inglaterra”, anotou Lawson, “é estimado que ‘de uma população de 300.000 habitantes, de 25.000 a 50.000 novos membros foram acrescentados às igrejas’ durante o despertamento”.
12. Em julho de 1741, a cidade de Suffield experimentou um despertamento extraordinário. Em um domingo, Edwards presidiu um culto de Ceia e, na segunda, pregou a uma multidão aglomerada em dois grandes cômodos de uma casa. “Um visitante que chegara depois do sermão”, pontuou Marsden, “disse que em uma distância de 400 metros podia ouvir berros, gritos e lamentos, ‘como de mulheres em dores de parto’, quando as pessoas agonizavam pelo estado de sua alma”. Dois dias depois, em 8 de julho de 1741, um grupo de pastores reunido em Enfield, a cidade vizinha, com o propósito de propagar o avivamento na região, pediu a Edwards que pregasse em uma reunião. Na ocasião, ele pregou seu mais famoso sermão “Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado”, baseado em Dt 32:35 (“… A seu tempo, quando resvalar o seu pé”). Ele já “o havia pregado”, observa Lawson, “um mês antes, em sua própria igreja, tendo poucos efeitos visíveis”. Edwards era um homem magro de cerca de 1,90m. Sua voz era fraca e ele pregava com base em um manuscrito quase decorado. Sua eloquência não era de modo algum das mais impressionantes. Usava poucos gestos e fazia pouco contato com os olhos. Por outro lado, antes desse sermão, ele não se alimentava por três dias e rogava sem cessar: “Dá-me a Nova Inglaterra!” Quando Edwards pregou esse sermão, alguém disse que ele tinha um semblante de quem havia fitado, por algum tempo, o rosto de Deus.
13. Aqueles anos foram de avivamento quase ininterrupto. Conforme ponderou Lloyd-Jones, “Após a seca, chuvas abundantes; a vida começou a manifestar-se mais uma vez. Aconteceu algo que continuou a afetar a vida da América muito profundamente durante pelo menos 100 anos, e de fato até hoje”. No final do século XVIII e início do XIX, prorrompeu o denominado Segundo Grande Despertamento, com participação marcante de pregadores congregacionais, com destaque para Lyman Beecher (1755-1863), pastor por um tempo da Igreja Congregacional em Litchfield, Connecticut.
14. Entretanto, as influências do Iluminismo e dos ideais das revoluções liberais geraram uma teologia sensivelmente mais frágil em relação aos tempos de Edwards, sobretudo pela ênfase no livre-arbítrio. O século XIX foi marcado pelo declínio teológico entre os congregacionais com o fortalecimento do unitarianismo, associado ao universalismo e à teologia liberal. Em Massachussetts, havia um partido teológico liberal crescente entre os congregacionais, cujos esforços resultaram em introduzir Henry Ware (1764-1845), que tinha ideias unitárias, como professor de teologia em Harvard. Os congregacionais ortodoxos reagiram fundando o Andover Seminary, em 1807. Posteriormente, saíram da Igreja Congregacional de Boston, que havia sido pastoreada durante 60 anos por Charles Chauncy (1705-1787), adversário de Edwards e contrário à ideia de avivamentos, muitas pessoas com ideias unitárias.
15. Contribuiu muitíssimo ao declínio teológico entre os congregacionais o pregador William Ellery Channing (1780-1842), pastor da Federal Street Congregational Church, em Boston, considerado o principal articulador das ideias unitárias do seu tempo. Os unitários criticavam também as doutrinas do pecado original e da predestinação, levando após si muitíssimas igrejas até então ortodoxas em seu pensamento. Por fim, se uniram aos universalistas em 1961, formando a Associação Unitária Universalista, grupo que não se considera mais protestante. As igrejas congregacionais que resistiram à onda liberal-universalista-unitariana se uniram aos presbiterianos em 1801. Com o desfazimento dessa união, cinquenta anos depois, muitas igrejas historicamente congregacionais se tornaram definitivamente presbiterianas. Horace Bushnell pastoreou a Igreja Congregacional do Norte, em Hartford, de 1833 a 1859. Ele é considerado o pai do liberalismo teológico norte-americano. Buchnell tanto criticou o calvinismo ortodoxo quanto a aversão liberal a milagres. Ele não acreditava na literalidade de Gênesis 1 a 11, tampouco na infalibilidade da Bíblia. Sua doutrina moral quanto à morte de Cristo muito fez para fazer soçobrar ainda mais o arcabouço teológico protestante. Dizia que a morte de Cristo não foi um sacrifício vicário e substitutivo, mas que Cristo morreu primariamente para se tornar um exemplo a ser seguido.
16. O século XX foi um período de fusões ao congregacionalismo. É o congregacionalismo tentando se reinventar, afirma Joelson Gomes. Em 1871, os congregacionais formaram o Conselho Nacional de Igrejas Congregacionais nos Estados Unidos, que se uniu em 1931 com a Convenção Geral das Igrejas Cristãs, formando o Conselho Geral das Igrejas Cristãs Congregacionais. Anos mais tarde, o Conselho Geral planejou unir-se à Igreja Evangélica e Reformada, de governo presbiteriano. Em repúdio a essa união, em 1955, algumas igrejas formaram a Associação Nacional de Igrejas Cristãs Congregacionais (NACCC). O Conselho Geral das Igrejas Cristãs Congregacionais e a Igreja Evangélica e Reformada só vieram a unir-se em 1957, dando origem à Igreja Unida de Cristo (UCC), a maior denominação congregacionalista da atualidade, com tendências, infelizmente, ao afastamento do protestantismo histórico. Em 1948, foi formada a Conferência Cristã Congregacional Conservadora (CCCC) por igrejas que resistiram ao liberalismo, sendo hoje uma forte denominação norte-americana.
Soli Deo Gloria
