Divagações sobre a “Declaração de Fé Congregacional da UIECB” (Minuta do DET): Art. 24, Parte 2
Do Governo e dos Oficiais das Igrejas
Artigo 24 – Cremos que as igrejas devem se organizar como comunidades autônomas, administrativamente independentes umas das outras2⁴3, embora ligadas pela fraternidade da fé e pela comunhão no evangelho2⁴⁴, cujos membros reunidos em assembleia constituem o órgão que deve conhecer e executar a vontade de Jesus Cristo2⁴⁵, e que são supervisionadas por oficiais qualificados e por elas eleitos2⁴⁶, espiritualmente, pelos presbíteros ou bispos, que desempenham as funções de pastor e mestre em variados graus de responsabilidade2⁴⁷, e, quanto às necessidades temporais, pelos diáconos e diaconisas2⁴⁸, devendo ambos receberem a devida honra2⁴⁹.
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243 Atos 11.22-26; 13.1-3; Apocalipse 2,3.
244 Romanos 15.25-27; 1Coríntios 16.1-3; 2Coríntios 8.3-9; 9.1,2.
245 Mateus 18.15-20; Atos 1.15-26; 11.29; 1Coríntios 5.1-8.
246 Atos 6.1-6; 14.23.
247 Atos 20.17,28; Colossenses 1.7; 4.12; 1Timóteo 3.1-7; 5.17;
Tito 1.5-9; Tiago 5.14; 1Pedro 5.1-4.
248 Romanos 16.1; Filipenses 1.1; 1Timóteo 3.8-13.
249 Filipenses 2.29; 1Tessalonicenses 5.12,13; 1Timóteo 3.13; Hebreus 13.17.
Iniciamos nossas divagações sobre o artigo 24 da Declaração – “Do Governo e dos Oficiais das Igrejas” – no estudo anterior, momento em que fizemos anotações introdutórias sobre o governo congregacionalista e suas perspectivas sobre como a Igreja deve relacionar-se com o Estado, em contraponto a outros caminhos historicamente apontados. Nesse vão de ideias, avivamos também o início do denominacionalismo e uma síntese da teoria que o sustentou no século XVI.
Neste passo, seguiremos para tratar de modo mais pormenorizado sobre o momento histórico da redescoberta do sistema neotestamentário de governo eclesiástico, a partir do século XVI, no contexto do movimento puritano inglês.
1. Assiste razão a Joelson Gomes, quando afirma que a Eclesiologia dos reformadores se adequa ao governo congregacional mais do que a qualquer outro. Conforme o artigo 7 da Confissão de Fé de Augsburgo, a primeira confissão protestante e expressão do pensamento de Filipe Melanchton, amigo e auxiliar inseparável de Lutero, “Ensina-se também que sempre haverá e permanecerá uma única santa igreja cristã, que é a congregação de todos os crentes, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os santos sacramentos são administrados de acordo com o evangelho. Porque para a verdadeira unidade da igreja cristã é suficiente que o evangelho seja pregado unanimemente de acordo com a reta compreensão dele e os sacramentos sejam administrados em conformidade com a palavra de Deus…”.
2. Para Lutero, entre os cristãos não existe diferença senão de ofício, observa o Rev. Joelson, assim como o reformador concebia que, em caso de necessidade, qualquer cristão poderia administrar as ordenanças, visto que todos são iguais: “Visto que, sendo todos nós sacerdotes, nenhum homem poderá destacar-se dos demais, ou tomar sobre si um cargo para o qual não obteve consentimento geral nem foi eleito para fazer aquilo que todos nós temos o mesmo poder de fazer (…), portanto, um sacerdote nada mais deveria ser, na cristandade, do que um funcionário da comunidade; enquanto exerce o seu ofício, tem precedência sobre os outros; se for privado dele, é um cidadão ou um camponês como os demais (…). Segue-se, pois, que entre os laicos e sacerdotes príncipes e bispos, ou, como lhe chamam, entre os poderes espiritual e temporal, a única diferença real é a do ofício e função (…)”. Conclui Joelson que “É clara a sua afirmação [de Lutero] de que na comunidade cristã todos são iguais e a liderança existe em serviço dela. E estas são ideias completamente congregacionais, e só combinam com esse sistema de governo e mais nenhum”.
3. Calvino esposou pensamento semelhante ao de Lutero sobre a natureza da Igreja de Cristo, somo se pode perceber do excerto das Institutas a seguir transcrito: “Eis então de que modo a face da Igreja se manifesta ante nossos olhos: onde a Palavra de Deus é sinceramente pregada e ouvida, e vemos que os sacramentos são administrados segundo a instituição de Cristo, não podemos de modo algum duvidar de que ali está uma igreja de Deus (…). Pois, se uma igreja exerce o ministério da Palavra, e o honra, e, além disso, mantém a correta administração dos sacramentos, é preciso reconhecê-la como igreja (…) sustentamos que a pregação da Palavra de Deus e a administração dos sacramentos são os sinais distintivos para se reconhecer a Igreja (…)”. Frente à compreensão dos reformadores sobre a doutrina da Igreja, é certo afirmar que suas congregações não permaneceram congregacionais em virtude de arranjos políticos e necessidades de ordem prática. Foi, deveras, mais por razões mais pragmáticas do que teológicas a não adoção do governo congregacional pelos reformadores Lutero e Calvino, e dos movimentos que desencadearam. A Inglaterra seria, então, o berço da redescoberta do congregacionalismo na modernidade. É sobre o que nos debruçaremos.
4. A ruptura política da Igreja Anglicana com Roma ocorreu em 1534, quando foi assinado o Ato de Supremacia, pelo qual o Rei Henrique VIII tomou para si a condição de “único chefe supremo na terra da Igreja da Inglaterra chamada Anglicana ecclesia”. Esse rompimento, entretanto, não significava nenhum tipo de reforma religiosa. Henrique sempre manteve suas convicções católicas romanas. Em 1521, ele havia contra-atacado a negação de Lutero aos sete sacramentos com uma obra tacanha de nome “Afirmação dos Sete Sacramentos”, onde chamou o reformador alemão de “serpente venenosa” e “lobo do inferno”. O que moveu o “Nero inglês” foi muito mais a ambição política. Em 1536, ordenou o fechamento dos mosteiros menores e seu confisco aos cofres da coroa. Em 1539, promoveu a aprovação dos Seis Artigos pelo Parlamento, reafirmando a consubstanciação, a Comunhão sob uma espécie, o celibato e a confissão auricular. “Em teologia, a igreja da Inglaterra continuava fiel a Roma”, conforme observou Cairns. Quando Henrique morreu, em 1547, a igreja inglesa era doutrinariamente católica, embora dirigida pelo rei e separada de Roma.
5. Eduardo VI (1547-1553), filho de Henrique que lhe dera Jane Seymour, ascendeu ao trono aos nove anos. Em virtude da sua tenra idade, a regência ficou, por três anos, a cargo do protestante duque de Somerset, irmão da sua mãe. Nesse período, a Reforma avançou rapidamente. Conta-nos Cairns que “em 1547, o Parlamento permitiu aos leigos tomarem o cálice na Comunhão, repeliu as leis de traição e heresia e os Seis Artigos de feição católica, legalizou o casamento de sacerdotes em 1549 e acabou com as chantries, capelas doadas para a celebração de missas pelas almas de quem fizera a doação… Os cultos deveriam ser em inglês e não em latim”. O Ato de Uniformidade, em 1549, estabeleceu o uso do Livro de Oração Comum, preparado por Cranmer, “que deu ao povo inglês, pela primeira vez, uma liturgia em seu próprio idioma” (Gonzalez). O duque de Somerset, contudo, foi substituído pelo duque de Northumberland, sob quem a Reforma permaneceu avançando. A segunda edição do Livro de Oração Comum, de 1552, refletia influências calvinistas. Com pequenas modificações no reinado de Elizabeth, este é o Livro de Oração usado até hoje pela Igreja Anglicana. Nasceram nesse período, sob o empenho de Cranmer, os Quarenta e Dois Artigos que se tornaram a confissão da Igreja Anglicana por decreto real em 1553. Logo depois da assinatura deste ato, o jovem rei morreu, com quase dezesseis anos.
6. Eduardo VI foi substituído por Maria, filha de Henrique VIII com Catarina de Aragão. Seu reinado, que perdurou de 1553 a 1558, representa a Contra Reforma na Inglaterra. Ela era uma católica-romana fervorosa, cujo objetivo deliberado era a restauração das práticas religiosas inglesas ao ponto em que deixou seu pai, em 1547, repudiando as mudanças introduzidas por Eduardo. A princípio, foi cautelosa em suas “reformas”. Mas, tão logo sentiu-se segura no trono, Maria conduziu a Inglaterra à obediência ao papa, em 1554, e desencadeou uma série de medidas que desfaziam os editos parlamentares sob as regências de Henrique e Eduardo. Os sacerdotes que se casaram deveriam separar-se de suas esposas. Os dias santos e as datas tradicionais deveriam voltar a ser observados. Finalmente, Maria conduziu uma perseguição cruel aos quase oitocentos ministros que se recusaram a acatar suas mudanças. Diz-se que duzentos e oitenta e oito pessoas foram martirizadas por sua fé. A barbárie liderada por Maria lhe rendeu o epíteto de “Maria, a sanguinária”, que lhe dera John Foxe no seu famoso Livro dos Mártires (de 1571).
7. Maria morreu em fins de 1558, fato que deu azo à subida ao trono, com então 25 anos e mediante uma série de obstáculos, Elizabeth (1558-1603), filha de Ana Bolena. A Inglaterra, à época, estava dividida entre catolicismo e protestantismo. Assim, Elizabeth, que não era uma protestante fervorosa, desejava a unificação do país através de uma única igreja, embora concedendo razoável liberdade religiosa, contexto no qual não havia espaço para catolicismo romano, nem para protestantismo puro. Foi escolhido, portanto, “o Via Media, o caminho do meio entre protestantismo e catolicismo”. Em 1559, o Parlamento aprovou o Ato de Supremacia, que fez da rainha “o único governo supremo deste reino”, em assuntos espirituais e temporais. O Livro de Oração Comum de 1552 foi ligeiramente modificado e instituído em um Ato de Uniformidade. Os Quarenta e Dois Artigos foram revisados e se tornaram em Trinta e Nove, que, em 1563, foi aceito pelo Parlamento como a confissão da Igreja Anglicana. Essa confissão, com pequenas alterações introduzidas em 1571, é até hoje o documento confessional da Igreja da Inglaterra.
8. Ocorreu que, no reinado de Elizabeth, retornaram do exílio no continente refugiados dos tempos de Maria Tudor que, por influência de seus estudos em Genebra e outras paragens protestantes, entenderam que a Igreja Anglicana, nos termos do “caminho do meio”, não representava uma reforma completa da Igreja. Esses pregadores foram um desafio para Elizabeth e seus sucessores. Eles são conhecidos como “puritanos”, alcunha que receberam pelos idos de 1568, segundo Cairns. O que unia o movimento puritano, portanto, era a sua inconformação com uma “reforma pela metade”. Os puritanos asseveravam que a Bíblia deveria ser obedecida em todos os aspectos da vida da igreja, inclusive quanto à liturgia e ao governo, e que os cristãos somente deveriam fazer aquilo que a Bíblia ordenava. Quanto ao mais, o puritanismo não foi um movimento dotado de coesão e uniformidade. Eles divergiam entre si sobre o que a Bíblia realmente ordenava, sobretudo nas questões que envolviam o governo da igreja. Dentre eles, alguns defendiam uma reforma sem mudanças no sistema episcopal anglicano, como é o caso de Richard Hooker (1554-1600) – puritanos anglicanos. Outros, como Thomas Cartwrigth (c. 1535-1603) e seus seguidores, queriam a implantação do governo presbiteriano, nos moldes do modelo calvinista de Genebra, em uma Igreja de caráter estatal – puritanos presbiterianos.
9. Havia, por fim, o movimento dos puritanos congregacionais ou independentes. Os congregacionais-independentes propuseram uma igreja oficial inglesa de governo congregacional, compreensão que Martyn Lloyd-Jones atribui à originalidade de Henry Jacob. Segundo Lloyd-Jones, “os independentes não consideravam a Igreja da Inglaterra como sendo totalmente errada, não se opunham ao comparecimento ocasional aos cultos da Igreja da Inglaterra e, na verdade, não se opunham realmente à ideia de uma Igreja do Estado como tal. Oliver Cromwel, por exemplo, era um verdadeiro independente (…)”. Os separatistas mantinham uma compreensão semelhante à dos independentes quanto ao governo das igrejas, mas diferenciavam-se desses porque pugnavam por uma ruptura mais radical entre Igreja e Estado e pela não comunhão com a Igreja Anglicana. Richard Fyts fundou uma igreja baseada nesse modelo em 1567, razão pela qual é considerado o pastor separatista mais antigo.
10. Naquele ano, um grupo de separatista estava se reunindo no “Salão Plumbers”, em Londres. Chamavam-se “Igreja de Privye” (ou “Igreja Privada”). Os crentes que ali se reuniam “Entendiam”, no dizer de Joelson Gomes, “que uma igreja segundo o Novo Testamento é uma associação voluntária de irmãos que ouvem o evangelho, adoram a Deus e participam do batismo com água e da Ceia do Senhor”. No dia 19 de junho do mesmo ano, a polícia invadiu o lugar de culto, prendeu alguns membros, dentre os quais alguns foram açoitados e outros, mortos, como o seu pastor Richard Fitz, o primeiro mártir da causa congregacional. Segundo Robert William Dale, esta foi a primeira igreja congregacional regularmente constituída. “Por isso, 19 de junho de 1567 é considerado pelos historiadores como o marco do resgate moderno da maneira congregacional de governar a igreja local”.
11. Talvez o primeiro teólogo a elaborar ideias congregacionalistas tenha sido Robert Browne (c. 1550-1633). Browne era clérigo anglicano, formou-se em Cambridge em 1572 e em 1581 juntou-se com Robert Harrison (c. 1540-1585) na fundação de uma congregação separatista em Norwick. Browne e Harrisson estudaram em Cambridge sob a orientação do presbiteriano Thomas Cartwright, mas não se tornaram presbiterianos por haver entendido que o presbiterianismo não tinha base neotestamentária. Para ambos, destaca Joelson Gomes, “a congregação seria fundada sob os princípios de que a única igreja verdadeira era um corpo local de crentes que experimentassem a vida cristã juntos, unidos a Cristo e uns aos outros por um ‘pacto’ voluntário. Cristo e não o rei da Inglaterra era o único Cabeça da igreja. Para eles, as congregações cristãs deveriam ser autônomas e poder eleger seus próprios pastores, professores e diáconos. A igreja de Norwich elegeu Browne como seu pastor e Harrisson como seu professor”.
12. Em Norwich, a perseguição tornou-se ferrenha. O bispo local pediu a prisão de Browne e ele, quando livre, fugiu com Harrisson e a maioria da congregação para Middelburg, Holanda. Aqui, Browne escreveu três livros nos quais abordou os princípios do congregacionalismo separatista, dentre os quais se destacou a obra Reformação Sem Esperar por Ninguém. Sobre esse livro, Cairns anotou: “Browne sustentava que os crentes deviam se unir a Cristo e uns aos outros por um pacto voluntário; que os oficiais deviam ser escolhidos pelos membros; e que nenhuma congregação deveria ter autoridade sobre a outra”. Browne foi, por isso, considerado o primeiro teórico do movimento. Mas um desentendimento com Harrisson levou Browne e um pequeno grupo de seguidores à Escócia, em 1583, onde foi aprisionado pelos presbiterianos. Em 1584, retornou à Inglaterra e, em 1591, inexplicavelmente, reintegrou-se à Igreja Anglicana, onde serviu como cura de uma paróquia até a morte, em 1633. Apesar de Browne haver se retratado, talvez movido por pressões, e voltado a ser ministro da Igreja Anglicana, tal fato não afetou a influência dos princípios que ele destacou.
13. Os princípios brownistas foram realmente utilizados, embora ligeiramente modificados, por uma congregação surgida em 1586, sob a liderança de Henry Barrowe (c. 1550-1593) e John Greenwood (?-1593), que foram presos e, após sete anos de cativeiro, em 6 de maio de 1593, enforcados. Em 29 de maio do mesmo ano, foi a vez de John Penry ser martirizado em Norfolk por divulgar ideias congregacionalistas. Conforme Joelson, “Muitos outros congregacionais na época também foram mortos. O sapateiro John Copping e o alfaiate Elias Tacher foram enforcados por distribuir os livros de Browne, e um pregador chamado William Dennis também teve o mesmo destino”. Desde a prisão de Barrowe e Greenwood, em 1587, o grupo que compunha a “Igreja de Privye” (ou “Igreja Privada”) ficou sendo liderado por Henry Ainsworth e Francis Johnson. Johnson foi preso e a congregação foi obrigada a fugir para Amsterdã, Holanda. Em 1597, Johnson foi solto e se uniu ao grupo no exílio, como seu pastor, sendo Ainsworth o mestre da congregação. Na Holanda, os líderes se desentenderam e formaram grupos separados que, porfim, extinguram-se.
14. Outro grupo separatista surgiu em Gainsborough, em 1602, liderado por John Smyth (c. 1565-1612), seu pastor eleito pelos membros. Em seguida, parte do grupo passou a reunir-se em Scrooby, sob os cuidados pastorais de William Brewster (1566-1644), filho do chefe dos Correios da localidade, e Richard Clyfton. Esta congregação também recebeu como pregador John Robinson (c. 1575-1625), “às vezes, considerado o mais proeminente e influente líder do Separatismo Congregacional inglês”. Em face da perseguição movida pelo rei Tiago, que havia ascendido ao trono em 1603, ambas as congregações tiveram que refugiar-se na Holanda: primeiro, em 1606, a de Gainsborough; depois, em 1608, a de Scrooby, com Richard Clifton no pastorado e John Robinson como mestre.
15. Na Holanda, o grupo vindo de Gainsborough, sob a liderança de John Smyth, foi influenciado pelos menonitas. Em 1608 ou 1609, Smyth convenceu-se que o batismo infantil era antibíblico, razão pela qual batizou a si mesmo e a seus companheiros, dentre os quais Thomas Helwys (c. 1550-1616), por afusão. Nesse período, também foram influenciados pelas ideias arminianas, largamente debatidas na Holanda. Por seu radicalismo, Smyth foi excluído da congregação, estabeleceu a primeira Igreja Batista ainda em solo holandês e faleceu em 1612. Thomas Helwys, John Murton e seus seguidores retornaram à Inglaterra e, em 1612, organizaram a Primeira Igreja Batista, fruto do trabalho congregacional separatista. Eles batizavam somente adultos, por afusão, e eram doutrinariamente arminianos. Ficaram conhecidos como Batistas Gerais, por causa da doutrina da expiação universal.
16. O grupo liderado por John Robinson (o que veio de Scrooby) mudou-se de Amsterdã para Leyden em 1609. A princípio contando com cerca de cem membros, a congregação logo passou a trezentos, momento em que uma parte retornou à Inglaterra, sob a liderança de Henry Jacob (1553-1624), de convicções independentes (mas não separatistas). Esse grupo organizou-se em 1616, em Southwark, Londres, como a Primeira Igreja Congregacional inglesa de existência permanente. Em 1615, Robinson começou a estudar teologia na Universidade de Leyden. Foi nesse período convocado pelo professor Johannes Polyander (sucessor de Francisco Gomarus) para debater sobre a polêmica arminiana com Episcopius, discípulo de Arminius. Joelson esclarece que “Robinson era calvinista em seu pensamento teológico e, prontamente, defendeu os argumentos da soberania de Deus contra o livre-arbítrio em três palestras que proferiu na Universidade, pelas quais conseguiu muito respeito e fama”.
17. Dada à importância de Henry Jacob e John Robinson ao desenvolvimento das igrejas congregacionais nos dois lados do Atlântico, dedicaremo-nos a esses grandes expoentes do congregacionalismo na próxima divagação.
Soli Deo Gloria

