“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29).


Uma das marcas do movimento evangélico brasileiro, generalizando-o para o propósito da nossa reflexão, é, lamentavelmente, seu alegado conhecimento das “coisas encobertas” e do seu perceptível desconhecimento das “coisas reveladas”. Dito de outra forma, “evangélicos” há que alegam conhecer o incognoscível enquanto desconhecem deliberadamente o cognoscível. É dizer, quer-se ou supõe conhecer o que Deus não revelou com notável desprezo pela verdade revelada.
Esse estado de coisas explica, pelo menos em parte, o perfil de um movimento que à medida que foi se expandindo o fez ao custo do sacrifício das raízes, pelo que resultou em suas próprias perdas de identidade e credibilidade.
O fato de os “evangélicos”, como são conhecidos pela sociedade, terem se aventurado tanto no caminho oposto ao traçado pela orientação de Moisés acima destacada, resultou em que hoje são caracterizados (friso: generalizadamente) pelas seguintes marcas:
Subjetividade: o desprezo pela revelação objetiva e o gosto pelo extraordinário e pelo improviso enigmático e misterioso têm feito parte do povo cristão abraçar mensagens impassíveis de se submeter a qualquer teste de autenticidade. Não havendo critério objetivo a partir do qual se possa conhecer a verdade, tudo pode ser aceito, especialmente se a suposta revelação vier acompanhada de falas em tom profético ou sinais espetaculares (Dt 13.1-3; 2Ts 2.9-12; Ap 13.13-15). Essa subjetividade, evidentemente perigosa, é condenada pela Escritura, que adverte solenemente: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito… Nisto reconheceis o Espírito de Deus…” (1Jo 4.1,2).
Culto à personalidade: a subjetividade é o ambiente adequado para o surgimento dos “ungidos” que alegam conhecer os arcanos de Deus. A depender do que dizem (quanto mais inaudito mais crível!), do modo como dizem (quanto mais espetacular, mais crível!) e do quanto aparecem (quanto mais midiático mais crível!), o que dizem nem chega a ser objeto de debate. Admira-se a ousadia, o triunfalismo, a estética, sem qualquer preocupação com a verdade. Não se busca o que “está escrito” como o teste último do que deve ser crido e obedecido (Mt 4.4,7,10). Nesse sentido, parte considerável da comunidade evangélica está aquém daquelas pessoas de Beréia, a respeito das quais Lucas diz que “eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda avidez [de Paulo e Silas, mas mesmo assim], examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17.11). Que a verdade objetiva do Evangelho importa mais, em absoluto, que a compreensão subjetiva de qualquer arauto, por mais respeitável que seja, Paulo o disse: “ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8, sublinhei).
Crise de integridade: a subjetividade, que é irmanada do culto à personalidade, por seu próprio desprezo à verdade objetivamente verificável, é a mãe da crise de integridade. Não por acaso a “popstora-rockstora”, enquanto animava os foliões em Salvador, alegou “conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (At 1.7). Não se discute seu abduzimento (eu mesmo não estive lá para ver; conheço somente aquelas experiências descritas na Escritura), nem o problema é que a maravilhosa cantora Baby do Brasil cante para Deus proteger o “Menino do Rio”. O problema real (agora, pensando outra vez no contexto mais amplo do evangelicalismo brasileiro) é a notória carência de conhecimento da vontade revelada de Deus (Cl 1.9,10), em meio à quantidade infindável de alegação de conhecimento daquilo que Deus não revelou, com a consequente crise de integridade.
Se o(a) leitor(a) pode concordar, ao menor em parte, com o que venho discorrendo, então a notícia que trago pode interessá-lo(a). Lancei meus estudos expositivos aos Dez Mandamentos, em dois volumes. O primeiro lança as bases da ética cristã e se debruça sobre os primeiros quatro mandamentos do Decálogo. O segundo é a sequência necessária e trata dos demais seis mandamentos, aqueles que orientam a vida cristã quanto ao modo de lidar com os semelhantes.
A advertência é que, por ora, não temos cópias impressas. O leitor pode adquirir clicando nos links indicados somente e-books, para aqueles leitores que já estão habituados e, quiçá, para aqueles que desejarem ser iniciados na doce aventura dos livros eletrônicos.
Abraço fraterno,
Ary Queiroz Jr.

