Regenerados pela Palavra

Lição 13/13

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Por tudo o que estudamos nesta série de lições, a conclusão mais óbvia é que ninguém vem à fé sem ter nascido de novo. Isto é, a poderosa operação do Espírito Santo na regeneração espiritual é a causa eficiente da fé e, portanto, deve precedê-la. 

Essa ideia pode gerar dois pensamentos distintos. Podemos nos sentir encorajados e confiantes que Deus fará a Sua obra através da nossa evangelização ou, ao contrário, perceber-nos desmotivados e paralisarmos a nossa ação evangelizadora. 

Por essa razão, nosso objetivo com este último estudo sobre o novo nascimento é harmonizar nossos sentimentos com a verdade da Palavra de Deus; é, noutro dizer, conduzir submissas as nossas percepções à Escritura.

Então, a questão proposta é a seguinte: se o novo nascimento é uma obra inteiramente divina, é uma operação que somente Deus realiza e pode realizar, qual é o nosso próprio papel? O nosso papel realmente importa? Onde reside a relevância da nossa atividade na regeneração espiritual das pessoas? Investiguemos essas perguntas a partir dos textos seguintes.

Tiago 1.18: “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade…”

Comecemos com Tiago 1.18. A geração espiritual é uma “boa dádiva” e um “dom perfeito” que o “Pai das luzes” nos concedeu (Tg 1.17). Ele a realizou “segundo o seu querer”: é uma dádiva da Sua generosa e livre bondade. Mas Ele a realizou “pela palavra da verdade”, a pregação do evangelho que devemos estar prontos para ouvir e praticar (Tg 1.19,22). A nossa conclusão, pois, é que Deus usa a pregação do evangelho para regenerar pessoas movido exclusivamente pelo bom prazer da sua vontade.

1Pedro 1.23-25: “pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada

Avancemos à análise de 1Pedro 1.23-25. Notemos que a “semente” que Deus usa para criar a nova vida é a Palavra de Deus. Pedro diz que a Palavra é “viva”, exatamente porque carrega o poder divino de gerar a nova vida; diz também que é “permanente”, porque o poder da Palavra de Deus não é apenas para criar a nova vida, mas também para mantê-la eternamente. 

Os versículos 24 e 25 da passagem citam Isaías 40.6-8 para confirmar que a vida criada pela Palavra de Deus é permanente. E a última parte do versículo 25 diz: “Esta é a palavra que vos foi evangelizada”. É dizer, mais uma vez se afirma que fomos regenerados pela pregação do evangelho.

Assim, qual o nosso papel no novo nascimento das pessoas: nós lhes pregamos o evangelho e, segundo a vontade de Deus, Ele usa essa pregação para regenerá-las.

2Coríntios 4.3-7: “… Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós

Em 2Coríntios 4.3-7 damos um passo adiante. Paulo refere-se às pessoas não regeneradas, as “incrédulas”, como cegas: “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos”. Porque são cegas, o “nosso evangelho” lhes está encoberto (v. 3). E, evidentemente, olhos cegos não reagem à “luz do evangelho da glória de Cristo” (v. 4). 

Então, o que nós podemos fazer por pessoas cegas? O versículo 5 responde: pregar “a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus”. Notemos que o fato de que a audiência dos apóstolos era cega em seu entendimento (como é a nossa) não os paralisava. Eles continuavam contando a elas as boas novas do evangelho de Cristo com uma atitude de servos. 

Assim, qual o nosso papel na regeneração de pecadores? Pregar! E o Deus que disse “haja luz” (e houve luz, segundo Gênesis 1.3), pode também falar um “haja luz” criador no coração dos cegos que nos ouvem, “para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (v. 6). 

Essa é deveras uma descrição vívida do novo nascimento: Deus abrindo a visão do cego para que enxergue “a luz do evangelho da glória de Cristo”. Como Deus opera a cura dessa cegueira? Por meio da pregação do evangelho!

Mas há um “porém” colocado ao final da passagem: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro…” (v. 7a). Isso quer significar que o tesouro é o evangelho, a mensagem, e os vasos de barro somos nós, os mensageiros. Comparado com o evangelho nada somos (1Co 3.5-7). O evangelho é o ouro; nós, o barro. Destarte, aqueles que se sentem incapazes de pregar o evangelho estão mais próximos da verdade do que aqueles que se veem como poderosos evangelistas. 

Por fim, somos informados que o propósito de Deus ao usar pessoas comuns (como nós!) para regenerar incrédulos é este: “para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (v. 7b). Deus exalta somente o Seu poder quando, por meio da nossa pregação, regenera pessoas.

Conclusão

Portanto, dediquemo-nos à pregação do evangelho, o que podemos fazer de várias formas, dentre as quais citamos algumas: compartilhando literaturas e lendo bons livros sobre evangelização; convidando pessoas à igreja; orando, pedindo a Deus ousadia para pregar (2Ts 3.1; Cl 4.3; Ef 6.18,19; At 4.31) e a conversão de pecadores (Rm 10.1); descobrindo os nossos dons e os usando à serviço da igreja; importando-nos com as pessoas; sendo generosos etc. 

Por fim, saibamos que Deus pode usar inúmeras influências para levar uma pessoa è fé. A sua, leitor, pode ser apenas a primeira, a que lança a semente, ou a última, a que colhe o fruto. 

Soli Deo Gloria

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