A Relação entre o Amor a Deus e o Amor ao Próximo

Lição 11/13

Temas Gerais
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Modo noturno

Introdução

Temos nos dedicado nas últimas lições a compreender as evidências do novo nascimento, tema que iniciamos observando que o novo nascimento no introduz em um relacionamento com Deus totalmente novo, que passamos a amar o Pai, a crer em Jesus e a ser habitados pelo Espírito. Neste estudo, compreenderemos que o amor a Deus e ao próximo (principalmente aos “irmãos”) são realidades inseparáveis, fato que passamos a demonstrar, sempre com base em 1João. 

A mútua implicação entre o amor a Deus e ao próximo

O apóstolo João afirma que só ama a Deus quem ama ao irmão: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso…” (1Jo 4.20). Em seguida, João inverte a perspectiva e diz que só ama os irmãos quem ama a Deus: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus…” (1Jo 5.2). 1João 4.20 explica a razão pela qual só ama a Deus quem ama os irmãos: “pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. O fundamento parece ser este: Deus, a quem não vemos, não padece sob quaisquer limitações, de modo que não precisamos despender nossos recursos para lhe sanar as necessidades, como devemos fazê-lo para com os irmãos (1Jo 3.17). Assim, do ponto de vista de um confessor vazio, é fácil amar a Deus apenas com palavras (1Jo 3.18). 

Mas, por outro lado, por que 1Jo 5.2 diz que só ama os irmãos quem ama a Deus? Eis a razão: somente quem ama a Deus pode amar as pessoas com consequências eternas. Quem ama a Deus alimenta, socorre, hospeda, agasalha, mas não só, porque quem não ama a Deus também pode fazer essas mesmíssimas coisas. Quem ama a Deus (e somente quem ama a Deus!) faz essas coisas ao próximo, mas de maneira que esse amor tenha importância para a eternidade. É dizer, somente quem ama a Deus exerce amor com implicações eternas para a vida dos que são amados.

Seja como for, o amor a Deus e ao próximo são inseparáveis, também pelas razões destacadas nos tópicos seguintes.

O mandamento do amor não é pesado ao nascido de novo

Há outro elo destacado por João que relaciona o amor a Deus e o amor aos irmãos. É que, conforme 1Jo 5.3, quem ama a Deus guarda os Seus mandamentos: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos…”. Essas palavras são um eco das palavras de Jesus preservadas por João em seu Evangelho: “Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15). No contexto de 1Jo 5.3 (assim como no Evangelho), o mandamento que o apóstolo tem em mente é o amor de uns pelos outros (1Jo 4.20,21). Isto é, segundo João, nós demostramos que amamos a Deus quando obedecemos aos mandamentos referentes ao amor de uns pelos outros. 

A isso João acrescenta que “os seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5.3b). Ao contrário, os mandamentos de Deus, inclusive os de amarmo-nos mutuamente, são obedecidos pelos que nasceram de novo com prazer, não como obediência forçada ou meramente externa (Sl 119.24,35,92).

A vitória sobre o mundo

Em 1Jo 5.4, João explica a razão pela qual para os nascidos de novo os mandamentos de Deus (especialmente o de amar os irmãos) não são penosos: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo”. Ou seja, antes de nascermos de novo éramos dominados por forças que nos impediam de amar a Deus e ao próximo. Essas forças são descritas em 1João 2.15-17, quais sejam: “A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”. A concupiscência da carne e dos olhos refere-se à cobiça por aquilo que não temos; a soberba da vida, ao orgulho por aquilo que temos. 

Isso quer significar que antes de nascermos de novo éramos tão egoístas, tão concentrados em nosso orgulho e cobiça que não encontrávamos espaço para amar a Deus e aos irmãos autêntica e profundamente. E, para quem é ainda assim, dominado pelo egoísmo, o mandamento de amar ao próximo é um fardo insuportável. Por outro lado, João explica por que para os nascidos de novo amar a Deus e aos irmãos não é um fardo: porque aqueles que nasceram de novo venceram as forças mundanas da cobiça pelo que não têm e do orgulho pelo que têm. O mundo foi vencido e aquele que nasceu de novo está livre para amar! 

A fé é a vitória que vence o mundo 

Mas o que exatamente o novo nascimento produz que gera a vitória sobre o mundo? A segunda parte de 1João 5.4 responde: “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”. Aqui está a relação entre o novo nascimento e a vitória sobre o mundo: a fé em Jesus. “Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1Jo 5.5). O novo nascimento produz a nova vida que percebe Jesus como o seu grande tesouro (Fp 3.7,8). Isso é fé! E essa fé vence o mundo porque por ela passamos a ver Jesus como muito mais desejável do que aquilo que era objeto da nossa cobiça e do nosso orgulho. Frente à sublimidade de Jesus Cristo, percebida pelos olhos da fé, tudo o mais parece muito vil para ser desejado ou retido indevidamente.

Conclusão

A conclusão é que tanto o amor a Deus como a fé em Jesus estão relacionados ao amor mútuo. A regeneração gera fé (1Jo 5.1) e a fé vence o mundo (que obstaculizava o amor a Deus e aos irmãos), razão pela qual o nascido de novo não considera pesada a tarefa de amar o próximo.

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