Duas Maneiras Cristãs Práticas de Exercer Amor

Lição 10/13

Temas Gerais
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Modo noturno

Introdução

Estamos debruçados sobre 1João com o propósito de compreender as evidências pelas quais podemos nos certificar que Deus nos gerou de novo. Já vimos que o novo nascimento faz surgir um novo relacionamento com o Deus que é uma Trindade de pessoas santíssimas. Ao nascermos de novo, passamos a amar o Pai, a crer no Filho e a ser habitação permanente do Espírito. 

Na lição anterior, estudamos como o novo nascimento relaciona o nosso amor ao próximo com o amor que é parte de quem Deus é. Entendemos que o amor é parte da essência de Deus, que o amor de Deus se revela em grau mais excelente no envio de Cristo “como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 2.2; 4.10), e que, como no novo nascimento recebemos o compartilhar da vida divina, do Cristo ressurreto, em cuja essência reside o amor, é impossível que aquele que nasceu de novo não ame. Com efeito, se somos pessoas regeneradas, somos pessoas que natural e necessariamente amam (1Jo 3.14).

Na presente lição, destacaremos duas maneiras práticas de exercermos amor uns pelos outros, segundo 1João. Sigamos, pois.

Alegria pela superioridade moral do próximo

O amor se revela em termos práticos quando o crescimento espiritual dos nossos irmãos é motivo de alegria, não de ressentimento. João, e aqueles que compartilhavam com ele o ministério da Palavra, só fruiriam completa alegria se os irmãos estivessem com eles vivendo em comunhão com Deus no evangelho de Seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1.3,4). 

A mesma ideia é refletida em 2João 4 e 3João 4, que dizem, respectivamente: “Fiquei sobremodo alegre em ter encontrado dentre os teus filhos os que andam na verdade, de acordo com o mandamento que recebemos da parte do Pai”; “Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade”. O amor promove verdadeira alegria quando vemos que nossos irmãos progridem na fé e demonstram crescente avanço moral e espiritual. 

Por outro lado, o amor nunca se ressente ante a superioridade moral e espiritual dos irmãos. Isso é dito em 1João 3.11,12: “Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de se irmão, justas”. Notemos que João diz que devemos amar uns aos outros (v. 11) para não sermos como “Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão” (v. 12a). 

É evidente que João não estava preocupado no sentido de que as igrejas de Jesus Cristo se tornassem congregações de assassinos, nas quais uns quisessem realmente tirar a vida dos outros. Antes, o perigo real seria em que os cristãos viessem a nutrir no coração a motivação que fez Caim matar Abel, revelada em resposta à pergunta: “e por que o assassinou?”. A motivação de Caim foi essa: “Porque suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (v. 12b).

Observemos o problema. Caim se ressentiu do irmão Abel em virtude da superioridade moral e espiritual deste, ao invés de alegrar-se com o fato, e passou a ver Abel como uma espécie de denúncia da sua própria maldade. Dizendo de outro modo, a piedade de Abel estava sempre lembrando a Caim sobre sua própria impiedade e o fato de Abel existir acentuava sua culpa. Abel não disse nada, não condenou seu irmão, não o induziu nem o estimulou à inveja. Apenas existiu. Caim, por sua vez, quando deveria ter se arrependido, exterminou aquilo que considerava o verdadeiro problema: a existência de Abel.

Em suma, a razão do assassinato de Abel foi ódio motivado por sua superioridade moral e espiritual. E, nesse sentido, João diz o que realmente pode se constituir em verdadeira armadilha para qualquer crente: o ressentimento pelo progresso espiritual de um irmão. Por isso, não sejamos como Caim, “amemo-nos uns aos outros” alegrando-nos com o progresso em santificação dos nossos irmãos.

Suprindo as necessidades dos irmãos

O fundamento do amor, conforme exposto em 1João 3.16, é o fato de que “Cristo deu a sua vida por nós”. E, como o amor que é parte de Cristo se torna parte de quem o novo nascimento nos faz (verdade destacada em lição anterior), “devemos dar nossa vida pelos irmãos”. Isso ocorre porque aquele coração de servo, aquele espírito sacrificial, aquela propensão de considerar os outros superiores a si, virtudes que se encontram em Cristo perfeitamente, passam a ser aperfeiçoadas naqueles que receberam a nova vida que se obtém no novo nascimento (Fp 2.2-8). 

Na sequência, 1João 3.17 ensina que há uma maneira muito prática de darmos a vida pelos irmãos: compartilhando do que temos com os que necessitam. “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” Como a fé (Tg 2.14-17) que também exsurge do novo nascimento, o amor verdadeiro se demonstra pelas atitudes e pelas ações. 

Por outro lado, o amor que reflete a ação divina no evangelho não pode está no homem que, de posse dos recursos necessários, “fecha o coração”, não ajudando o irmão necessitado. “Fechar o coração” representa a falta de emoções e de sensibilidade para com a carência do próximo, em especial do irmão em Cristo. Assim, o amor se revela em termos práticos também quando suprimos as necessidades dos nossos irmãos. 

Com efeito, 1João 3.18 diz que o amor realiza coisas práticas, age de maneira palpável e põe a mão no bolso, quando necessário: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”. É verdade também que não raro o amor só precisa se manifestar por meio de palavras e não é o objetivo do apóstolo negar a importância de uma fala adequada e cheia de graça. Todavia, quando a situação concreta exigir, o amor deve agir, e de fato age.

Conclusão

O amor se expressa por meio de ações práticas. Considerando negativamente, o amor não ressente com a prosperidade do próximo, notadamente quando o que está em jogo é o progresso espiritual. O amor, como nos diz Paulo, “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” (1Co 13.6). 

Mas não só. A prática do amor tem enorme potencial sacrificial, porque ela implica em perder para que outros ganhem, considerando-se a perda como lucro (2Co 8.1-5,9). Isso é real! É possível! Isso existe para a glória de Deus. Mas isso só é real porque o amor do Deus que levou Jesus Cristo à cruz do Calvário passa a ser parte de quem somos. Em última instância, o amor de Deus passa a administrar, inclusive, o que temos. 

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