Um Novo Relacionamento com o Deus Vivo

Lição 8/13

Temas Gerais
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Modo noturno

Introdução

Já tratamos do “o quê”, do “porquê”, do “como” e dos efeitos do novo nascimento. A partir deste estudo, discorreremos sobre as evidências do novo nascimento. Queremos conhecer, a propósito, os sinais que evidenciam que Deus nos regenerou.

O propósito de 1 João

Há uma carta do Novo Testamento que se dedica totalmente à questão sugerida nesta lição, qual seja, 1João. João escreveu a epístola para dar às igrejas de Jesus Cristo critérios para que soubessem se têm ou não vida espiritual, se aqueles que se confessam cristãos nasceram de novo ou não. Será que é isso mesmo? 

Por que, afinal, João escreveu essa carta? De acordo com 1João 1.4, para ele mesmo alegrar-se com a esperança dos irmãos (cf. 2Jo 4; 3Jo 4). Em 1João 2.1, somos informados que João escreveu a carta para ajudar os irmãos na luta contra o pecado. Como parte do método, o apóstolo diz que pecados não são necessariamente fatais à vida eterna. Conforme 1João 2.12-14,João escreveu a carta para dar segurança da salvação: aqueles irmãos eram perdoados, conheciam a Deus e haviam triunfado sobre o maligno. 

Nos termos de 1João 2.21, João não escreveu para introduzir os irmãos na verdade, mas confirmá-los nela. João pressupõe que os irmãos conhecem a verdade. Por fim, em 1João 5.13 está realmente o tema da Carta: oferecer aos irmãos testes para que tivessem certeza que haviam nascido de novo, que tinham vida eterna.

Em resumo, podemos parafrasear tudo o que João disse sobre os motivos que o levaram a escrever 1João da seguinte forma: “Eu escrevi esta carta para oferecer-vos testes seguros pelos quais vocês possam saber com convicção que nasceram de novo, que têm vida eterna. Essa segurança que pretendo promover livrá-los-á do caminho do pecado e será fonte de alegria para mim”. Em essência, 1João foi escrita para ajudar os cristãos a saberem se tinham ou não nascido de novo. É, pois, a Carta sobre a qual nos debruçaremos nesta lição e nas seguintes.

Uma vida que nem é perfeita, nem pode ser perdida

Antes de analisarmos o primeiro critério apresentado em 1João, é oportuno tecer duas considerações importantes sobre o novo nascimento, tais quais expostas pelo apóstolo em sua dulcíssima epístola. Primeiro, João nega enfaticamente que quem nasce de novo torna-se perfeito, que jamais peca, que vive uma vida cristã sem defeito, absolutamente. É verdade que quem nasceu de novo anda na luz (1.7), mas andar na luz significa também que veremos com clareza o tropeço como um pecado, a ponto de odiarmos o nosso pecado, confessá-lo, suplicar o perdão de Cristo e seguirmos em frente. 

Segundo, João nega enfaticamente que quem nasceu de novo venha a, por alguma circunstância, perder a vida espiritual recebida no novo nascimento.1João 2.19 foi escrito com o propósito de demonstrar que alguns parecem ter nascido de novo, mas, por fim, abandonam a fé. Esses tais, conforme o escritor, nunca nasceram de novo: “não eram dos nossos”.Aqueles que realmente nasceram de novo perseveram até o fim: “Se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”. O novo nascimento é a causa da perseverança; esta, a evidência daquele. Com frequência, Deus torna evidente quem são os falsos crentes, na igreja, por meio de sua apostasia, e tudo fica muito claro!

O ensino segundo o qual aqueles que nasceram de novo perseveram até o fim da jornada costuma ser denominado “perseverança dos santos”, expressão que designa a permanente operação do Espírito Santo no crente, por meio da qual a obra de Deus iniciada no chamado e na regeneração espiritual, e que jamais é abandonada, prossegue até o pleno aperfeiçoamento (Fp 1.6). 

As Escrituras afirmam, nesse sentido, que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29); que Deus sem sombra de dúvida aperfeiçoará a Sua obra (1Co 1.8; 2Ts 3.3; 2Tm 1.12; 4.18); que somos guardados pelo poder de Deus (1Pe 1.4,5; Fp 3.20,21; Jd 24,25) e que o Espírito Santo é o selo e o penhor da nossa salvação (2Co 1.22; Ef 1.13,14; 4.30). Assim, aos crentes não foi dada apenas uma expectativa de vida eterna, mas a certeza dela, que já começa a ser desfrutada na presente existência (Jo 3.16,36; 1Jo 5.13).

Feitos esses esclarecimentos, estamos prontos a analisar as evidências do novo nascimento.

Um novo relacionamento com o Deus Trino

Merece destaque inicial o fato de o novo nascimento nos levar a um novo e vivo relacionamento com Deus – com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. É o que veremos neste tópico da nossa lição.

  • Fé em Jesus Cristo

O nascido de novo obtém novas convicções sobre Jesus Cristo e novo relacionamento com Ele. 1João diz, em 5.1, que todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus. Ou seja, a pessoa nascida de novo passa a crer que Jesus, o nazareno, é o Messias prometido na lei e nos profetas, em todos os seus termos. Veja-se, por exemplo, a convicção de Filipe após ser chamado por Jesus: “Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José” (Jo 1.45). Assim, aquele que confessa a divindade de Jesus dá sinais de haver nascido de novo. 

Considerando negativamente, aquele que nega que Jesus é o Messias não nasceu de Deus e, conforme 1João 2.23, não tem o Pai, porque somente aquele que tem o Filho, tem o Pai. Isso é reafirmado em 1João 4.15: Deus está naquele que confessa a Jesus e aquele que confessa a Jesus está em Deus. Essa confissão, naturalmente, brota de uma fé genuína, sincera e vital, que deita raízes no solo da nova vida recebida no novo nascimento. Ela implica uma entrega completa da vida a Jesus Cristo.

Por fim, 1João 5.12 assegura que somente aquele que tem o Filho tem a vida, isso porque “a vida está em seu Filho” (v.11). Ou seja, é somente em união com Cristo que recebemos a vida.

  • Amor ao Pai

O nascido de novo, além de crer em Jesus Cristo, ama o Pai. Já vimos em 1João 2.23 que aquele que confessa o Filho tem o Pai, e, em 1João 4.15, que aquele que confessa a Jesus está em Deus e Deus está nele. A fé em Jesus está diretamente ligada ao relacionamento com o Pai. Quem crê no Cristo ama o Pai, tem o Pai, está em Deus e Deus nele. 

Em termos ainda mais diretos, João aponta o elo entre o novo nascimento e o amor pelo Pai: quem nasceu de novo ama ao que o gerou (1Jo 5.1). Em síntese, aqueles que nascem de novo ganham uma vida radicalmente nova, passam a crer em Jesus e, por isso, a amar a Deus o Pai. É em Cristo que nos relacionamos com Deus. É a vida que recebemos em Cristo que nos faz amar a Deus.

  • A habitação do Espírito

O nascido de novo, além de crer em Cristo e amar o Pai, possui o Espírito Santo. João ensina que a prova de que estamos em Deus e Deus está em nós reside na dádiva do Espírito (1Jo 3.24; 4.13). Quando somos regenerados e cremos em Jesus Cristo, recebemos da parte de Deus a habitação permanente do Seu Espírito. 

Por outro lado, se não temos o Espírito, Deus não permanece em nós. Paulo, seguindo idêntico raciocínio, afirmou que se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm 8.9), e que o Espírito é quem testifica com o nosso espírito que somo filhos de Deus (Rm 8.16), porque Ele é o “Espírito de adoção”, por meio do qual clamamos “Aba, Pai” (Rm 8.15).

Conclusão

Os primeiros sinais apresentados nesta lição, a partir de 1João, de que nascemos de novo são a fé em Jesus, o amor ao Pai e a habitação do Espírito. Ou seja, o novo nascimento produz vida que se relaciona com a Trindade. É uma vida para a Trindade, para a glória da Trindade e que se deleita na Trindade. 

Nas próximas lições, veremos os resultados mais práticos desse novo e vivo relacionamento. 

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