O Chamado Eficaz

Lição 6/13

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Modo noturno

Introdução

Estamos lidando com o “como” da grandiosa doutrina do novo nascimento. Quisemos saber sobre a maneira pela qual nascemos de novo, isto é, como Deus opera a nossa regeneração espiritual. Destacamos na lição anterior, a propósito, os três passos por meio dos quais Deus nos faz nascer de novo, com base em 1Pedro, quais sejam: Deus nos resgatou da escravidão ao pecado por meio do sangue de Jesus (1.18,19); ressuscitou a Jesus dentre os mortos para que, em união com Ele, recebamos a vida do Cristo ressurreto (1.3); e nos chamou à Sua eterna glória, das trevas para a Sua maravilhosa luz (1.15; 2.9; 5.10), por meio da Sua Palavra (1.23). 

Dizendo de outro modo, não haveria novo nascimento sem o resgate realizado pelo preço da cruz, sem a ressurreição de Jesus ao terceiro dia e sem o chamado.

Nesta lição, trataremos mais especificamente sobre o último passo, o chamado, desejando melhor compreendê-lo.

Os chamados interno e externo

Quanto ao chamado, é certo dizer que fomos chamados por Deus por meio da pregação do evangelho: “mediante a palavra de Deus” (1Pe 1.13); “é a palavra que vos foi evangelizada” (1Pe 1.25). Como é esse o caso, que realmente somos chamados pela pregação do evangelho, por que alguns que o ouvem permanecem mortos, endurecidos? Por que nem todos que ouvem o evangelho recebem um novo coração, são libertos, têm os olhos abertos para ver e os ouvidos capacitados a ouvir? 

Sobre isso, é preciso concluir pela existência de dois tipos de chamado: o universal ou externo e o irresistível ou interno. É o que veremos na sequência. 

chamado universal do evangelho é dirigido indistintamente a todos os homens, mas que, em si mesmo, não é eficaz, não produz aquilo que exige. Esse é o chamado referido em Mateus 22.14: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (com grifo). Ou seja, não é por meio do chamado universal ou externo do evangelho, exclusivamente, que Deus opera o novo nascimento.

A dádiva da vida de Jesus, que recebemos em Jesus e que é dada no novo nascimento, é operada por meio do chamado interno, que é eficaz, visto que sempre realiza o que propõe. Noutro dizer, o chamado interno é irresistível, uma vez que produz necessariamente o que requer, fazendo acontecer o que ordena. Esse chamado tem poder criador. Deus fala e a vida é (re)criada.

Entendendo o chamado interno

Por meio do chamado interno, frise-se, o Deus soberano fala criadoramente, fazendo com que o evangelho adentre os sentidos da pessoa espiritualmente morta de modo que esta abra os olhos e contemple a beleza de Cristo, abra os ouvidos e ouça as palavras de Jesus, saia do túmulo e corra para o Salvador. Isso quer significar que o chamado interno de fato opera o novo nascimento, opera a criação da nova vida.

Dificilmente se verá passagens no Novo Testamento em que as palavras “chamado” e “chamar” não significam chamado eficaz para a salvação. Mateus 22.14, anteriormente citado, é uma exceção à regra. Leia-se, como exemplo: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo” (1Co 1.9); “Irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição” (2Pe 1.10); “Participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação” (2Tm 1.8,9).

Por fim, dois textos devem ser acrescentados que, segundo penso, definem a questão, isto é, estabelecem sem sombra de dívida que há um chamado eficaz, irresistível, criador da nova vida em Cristo. Vejamos.

“Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.22-24).

Percebamos que o texto afirma que judeus e gregos ouvem o (chamado externo do) evangelho e veem a Cristo como escândalo e loucura. Alguns, entretanto, dentre judeus e gregos, deixam de vê-lo como escândalo e loucura e passam a vê-lo como poder e sabedoria de Deus. Esses tais, que passaram a ver a Cristo como poder e sabedoria de Deus, são os que foram chamados (interna e eficazmente). 

A conclusão a que se pode chegar é que o “chamado” referido na passagem não é de todos, não é o chamado universal. Trata-se, antes, de um chamado realmente eficaz, que produz o que ordena, tanto que, saliente-se, os que antes viam a Cristo como escândalo passaram a vê-lo, porque foram chamados, como poder a sabedoria de Deus.

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou, e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30).

A passagem paulina transcrita ensina que o chamado mencionado ocorre de acordo com o propósito de Deus estabelecido na eternidade (“… chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou…”). 

Esse chamado não é de todos. É somente dos predestinados (“E aos que predestinou, a esses também chamou”). Diz-se mais, que é parte de uma corrente inquebrantável de eventos que perpassam a eternidade: da predestinação à glorificação (“E aos que predestinou… a esses também glorificou”). 

Que esse chamado é eficaz vê-se porque quem o recebe de fato crê em Cristo e, por isso, é justificado de fato (“e aos que chamou, a esses também justificou”). 

Podemos concluir, por tudo o que se disse, que o chamado aludido na passagem realmente opera a vida espiritual, a regeneração.

Conclusão

Todo crente deve entender a glória das operações divinas que o fizeram nascer de novo. Todos quantos fomos regenerados fomos comprados com o sangue de Jesus Cristo. Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos para que pudéssemos experimentar uma viva esperança. Fomos, por fim, chamados interna e eficazmente por meio da proclamação do evangelho e passamos da morte para a vida. Nascemos de novo. 

E, não olvidemos, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que nascem de novo!

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