Introdução
Em nossos estudos sobre doutrina tão grandiosa, já lidamos com o “o quê” e com o “porquê” do novo nascimento. Voltamo-nos, na presente lição, para o “como” da regeneração espiritual. Queremos saber a maneira pela qual Deus, por Seu Santo Espírito, fez-nos nascer de novo, como Deus operou em nós o novo nascimento.
Para tanto, 1Pedro merece destaque. O capítulo 1 dessa epístola, notadamente em seus versículos 3, 15, 18, 19 e 23, conta-nos que o novo nascimento resulta de três ações divinas: o resgate pelo sangue de Jesus, a ressurreição de Jesus dentre os mortos e o chamado divino por meio da Palavra.
Cada um desses passos recebe tratamento nos tópicos a seguir, seguindo a ordem cronológica em que ocorreram.
O resgate pelo sangue de Jesus Cristo:
“sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18,19).
No que diz respeito ao novo nascimento, a concessão da vida na regeneração só se tornou possível a pecadores escravos do pecado mediante o pagamento de um resgate. Pedro nos diz que éramos escravos de um “fútil procedimento que vossos pais vos legaram” (v. 18). “Procedimento” traduz a palavra grega que significa “padrão de vida”. Esse padrão de vida recebido dos pais é “fútil”, vazio, inútil, imprestável, e estava seriamente enraizado por resultar de uma tradição familiar imemorial.
Esse padrão de vida – que corresponde ao jeito de ser, viver, pensar, agir, reagir e decidir -, escravizava-nos e nos teria destruído não fôssemos resgatados para uma nova vida. No entanto, surpreendentemente, o resgate foi pago. “Resgate”, lembremo-nos, era o preço pago para adquirir a liberdade de um escravo ou de um refém mantido em cativeiro.
Pedro informa ainda que o preço do resgate não foi “prata ou ouro”, os metais mais preciosos e duradouros. Ainda denomina-os “coisas corruptíveis”, perecíveis, que se deterioram, porque os compara com o verdadeiro preço do resgate: o “precioso sangue de Cristo”. “Sangue de Cristo” é expressão que significa a vida sacrificada de Cristo como pagamento do resgate. Esse “sangue de Cristo” é valioso e, comparado com ele, prata ou ouro não passam de coisas perecíveis, sem valor, vis.
Desse modo, quando o Senhor estava dando Sua vida na sexta-feira da Paixão, o que Ele fazia era conquistar para nós o direito àquela vida que é concedida no novo nascimento, a vida livre da antiga escravidão que se obtém estando unido a Ele. Para dizer em uma sentença: sem a cruz, não haveria novo nascimento!
Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos:
“Bendito o Deus e Pai de nosso Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pe 1.3).
Pedro também ensina que fomos regenerados “segundo a sua muita misericórdia”. Quer dizer com isso que quando o assunto é a razão suprema da nossa salvação, ela sempre deve ser buscada em Deus, nunca em nós mesmos. Diz-nos também que fomos regenerados “para uma viva esperança” na vida porvir. Como a esperança da nova vida é viva, ela só tende a crescer e se fortalecer até repousar no objeto da espera.
Por fim, Pedro também anuncia que o novo nascimento ocorre “mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Ou seja, é a ressurreição de Jesus Cristo que garante para nós a nova vida concedida no novo nascimento.
Já tivemos oportunidade de concluir em lições anteriores que a vida concedida no novo nascimento é Jesus. É, dizendo de outro modo, a vida de Jesus que passamos a compartilhar quando somos unidos a Ele pela fé. Seria, então, absolutamente necessário que Jesus ressuscitasse para que pudesse nos dá a vida que obtemos em união com Ele no novo nascimento.
Deus nos chamou à nova vida por meio da Palavra:
“pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento… pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a Palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1Pe 1.15,23).
Deus nos deu nova vida por meio do Seu chamado: “segundo é santo aquele que vos chamou”. A Sua Palavra fala ao morto de modo (re)criador. Paulo o disse, refletindo Gênesis 1.3, do seguinte modo: “Porque Deus, que disse: das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para a iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2Co 4.6). A ideia de “chamar” induz o pensamento que a salvação é uma obra divina desde o início (1Pe 5.10), segundo a qual temos os olhos abertos para ver Jesus Cristo refletindo a glória de Deus.
O versículo 23 vai adiante e acrescenta que esse chamado ocorre “mediante a palavra de Deus”, a que Pedro refere como uma “semente incorruptível” que “vive e é permanente”. É esse chamado, mediante a Palavra de Deus, que traz o morto à vida, que recria a vida onde reinava a morte, que, em síntese, opera o novo nascimento. Assim, quando Jesus diz a um morto “vem para fora”, este recebe vida e verdadeiramente sai do velho túmulo (Jo 11.43,44).
Conclusão
Relembremos o que estudamos na presente lição. Deus faz-nos nascer de novo pagando o preço do resgate na cruz, ressuscitando Jesus Cristo dentre os mortos e nos chamando (criativa e poderosamente) para a vida do Cristo ressurreto.
O chamado eficaz divino para a nova vida, entretanto, merece compreensão mais ampla, razão pela qual ainda nos ocuparemos com ele na próxima lição.

