O Evangelho para todos[3]

Terceira parte

Temas Gerais
11
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Modo noturno

Vamos ao nosso terceiro estudo da caminhada. Antes, porém, recordemos o que já aprendemos nos anteriores. Senão, vejamos.

  • Porque Deus é santo, Sua exigência é nada menos que a perfeição, e, porque o homem é pecador, encontra-se incapaz de alcançar o PADRÃO divino em qualquer medida. Eis a razão pela qual se o único caminho para Deus fosse através do cumprimento da Sua Lei, ou, dizendo de outro modo, pelas obras, não haveria salvação. Ninguém se salvaria. Mais uma vez: “é evidente que pela Lei ninguém será justificado diante de Deus, PORQUE O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ”! (Gl 3.11).
  • Só há, portanto, um único caminho para a aceitação do homem pecador perante o Deus Santo: o que Jesus Cristo fez por ele em Sua vida e em Sua morte. Jesus Cristo tanto viveu como morreu por (no lugar de) pecadores. Em Sua vida de obediência, Ele adquiriu uma santidade humana perfeita, vivendo como o homem sem pecado até a morte, para atribuir esta justiça perfeita a pecadores. Em Sua morte, Ele substituiu pecadores, morrendo no lugar deles, pagando a penalidade que os pecados deles merecem e, assim, satisfez as exigências da justiça divina. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)” (Gl 3.13);
  • Portanto, o ÚNICO caminho para a aceitação de pecadores diante do Deus Santo é este: a morte de Jesus Cristo no lugar de pecadores e a justiça de Jesus Cristo (a Sua santidade humana), creditada ao pecador, por meio da fé somente. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

A necessidade de arrependimento e fé

Pois bem, com base no que já conhecemos, avançamos para saber que Deus ordenou as Suas igrejas a fazerem um convite a todos os homens. Em verdade, é mais que um convite. Trata-se de uma ordem-exortação divina PARA QUE TODOS SE CONVERTAM, isto é. QUE SE VOLTEM DOS SEUS PECADOS PARA DEUS EM ARREPENDIMENTO E FÉ. 

Não custa ressaltar que a conversão só é possível na base de uma salvação objetiva já realizada pela graça de Deus, nos termos por nós já estudados. “Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi (Is 44.22). “Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades” (At 3.26).

“Conversão”, pois, é o ato humano do pecador regenerado pelo Espírito Santo consistente de dar uma radical meia-volta na direção da vida. É o voltar-se dos próprios caminhos (convicções, valores e práticas) para Deus em arrependimento e fé. Notemos que uma conversão genuína inclui necessariamente estes dois elementos: arrependimento e fé. Não há conversão sem arrependimento, como não há conversão sem fé.

A ordem divina para voltarmo-nos para Deus em arrependimento e fé é a mensagem divina de todos os tempos e para toda a humanidade, exigências que o Evangelho leva consigo. Os profetas do Antigo Testamento a proclamaram: “Portanto, dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Convertei-vos, e apartai-vos dos vossos ídolos, e dai as costas a todas as vossas abominações” (Ez 14.6). Convertei-vos, pois, ó filhos de Israel, àquele de quem tanto vos afastastes” (Is 31.6). 

Essa foi a mensagem de João Batista, do Senhor Jesus e dos apóstolos: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8); “arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15); “Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse” (Mc 6.12); “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38); “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). 

Essa é a mensagem para as igrejas do Senhor Jesus proclamarem até que Ele venha: “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém“ (Lc 24.46,47). 

“Conversão”, portanto, é o início da vida cristã. Sem conversão não há falar em vida cristã. É dizer, não há vida com Deus sem conversão. O apóstolo Paulo descreveu o começo da vida cristã dos crentes de Tessalônica da seguinte forma: “pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro (1Ts 1.9).

A conclusão a que chegamos até aqui é esta: há uma necessidade absoluta de conversão! Por isso avançaremos para nos debruçarmos sobre o real sentido de cada um dos elementos da conversão, quais sejam, “arrependimento” e “fé”. É o que faremos em tópicos separados.

Arrependimento 

O arrependimento verdadeiro é uma mudança que envolve toda a personalidade da pessoa. Inclui transformação nos aspectos intelectual, emocional e volitivo. É o que veremos.

  • No aspecto intelectual, o arrependido começa a pensar a partir de outros referenciais. Sobre Deus, o homem arrependido começa a vê-lo como o Justo Juiz, ao mesmo tempo em que o vê como misericordioso e bom. O arrependido também vê o próprio pecado com outros olhos. Ele condena hoje o que aprovava ontem. Ele descobre que seu pecado é, em primeiro e último lugar, uma ofensa contra Deus. O arrependido passa a concordar com o veredicto de Deus sobre o seu pecado; toma ciência de que seu pecado merece nada menos que a condenação eterna. O homem arrependido é o que concluiu que está absolutamente desprovido de justiça própria. Ele, antes, justificava a si mesmo. Agora, ele condena a si mesmo e está disposto a concordar com a decisão divina a seu respeito. “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (Sl 51.4). A pessoa arrependida diz: “eu estou nas mãos de um Deus santo, Ele terá razão caso decida me condenar eterna e irreversivelmente!”
  • Quanto ao aspecto emocional, o arrependimento traz consigo profunda e sincera tristeza, porque evoca no pecador a convicção de que seu proceder não é correto perante o Deus justo. “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar (…)” (2Co 7.10). O arrependido sente e lamenta o peso da sua natureza pecaminosa, pelos pecados que tem cometido contra Deus e chora seu estado desolador. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5.4). Entretanto, o homem arrependido fixa os olhos nem tanto nos seus pecados como em Deus. A razão do seu lamento é a sua infidelidade a Deus. “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4.8-10).
  • Mais ainda, arrependimento também envolve mudança de vontade. Antes de se arrepender, o homem quer fazer prevalecer seus desejos e viver habitualmente conforme suas próprias ideias, valores e crenças. O arrependimento, por sua vez, faz o arrependido desejar a vontade de Deus para a sua vida. Ele agora quer ser guiado por Deus. Decide que abandonará aquelas práticas que passou a vê-las como contrárias à vontade de Deus – que agora já não mais aprova -, para seguir a Jesus Cristo. O arrependido sabe que nada mais pode ser feito quanto ao passado. Todavia, quanto ao futuro, ele decidiu que se submeterá ao senhorio de Jesus Cristo. “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.7).  

Devemos perceber que as graças cristãs do arrependimento e da fé andam juntas na conversão dos pecadores para Deus. Com efeito, fé e arrependimento são inseparáveis, quando verdadeiros. Fé sem arrependimento é apenas uma presunção tola de um coração enganado. Arrependimento sem fé não passa de um desespero infrutífero, como o do traidor Judas Iscariotes. 

Como já discorremos sobre arrependimento, precisamos nos voltar para a graça que é sua irmã gêmea: a fé.

Fé 

A primeira grande verdade que precisamos saber sobre fé é esta: mais importante do que crer (fé subjetiva) é no que se crer (fé objetiva)! O pecador pode ser salvo por meio de uma fé (subjetiva) vacilante, frágil, contanto que depositada na verdade (fé objetiva). Por outro lado, agarrar-se firmemente a uma mentira não o tirará do estado em que se encontra. A fé genuinamente salvadora, portanto, não é fé em qualquer mensagem, mas a fé depositada no Evangelho de Cristo, segundo preservado na Bíblia, o Livro de Deus. 

Como fizemos em relação ao arrependimento, vejamos quais os elementos que compõem a fé verdadeiramente salvadora:

  • É necessário conhecer e acreditar na verdade. Pelo que já sabemos, Jesus Cristo é o único e suficiente Salvador. É necessário conhecer e dar crédito a essa verdade por nós já conhecida. Todavia, isso não é tudo, porque uma “fé” que é meramente intelectual não salva.
  • É necessário também concordar com a verdade, no sentido de abraçá-la, de desejá-la. Não basta conhecer e acreditar na verdade. É necessário concluir pela necessidade de Jesus Cristo a ponto de se saber absolutamente desamparado sem Ele. Nesse passo, devemos afirmar que precisamos do Salvador e da Sua salvação. Mas, ainda falta algo.
  • É necessário confiar na verdade. A fé salvadora é a experiência real de o pecador não apenas conhecer, acreditar e sentir a necessidade de Jesus Cristo, mas de ir além e descansar nEle, entregando-se convicta e totalmente nas mãos do Salvador em inteira certeza quanto à suficiência da Sua obra para se ver conciliado e perdoado por Deus.

É somente quando presentes esses elementos (conhecimento, assentimento e convicção), que se pode afirmar a autenticidade da fé. Assim, a fé salvadora conhece e dar crédito à verdade de que Jesus Cristo é o único e suficiente Salvador, concorda com essa verdade no sentido de sentir a necessidade desse Salvador maravilhoso e, finalmente, confia na verdade ao ponto de se entregar-se a Ele e descansar na suficiência da Sua obra. Notemos que a fé genuína nada tem de triunfalista. Ela é, em verdade, a negação da autoconfiança e o abandono da justiça própria, para repousar confiante somente na obra perfeita do Salvador. A fé salvadora, pois, negativamente considerada, é a descrença de si e de todos os deuses e supostas revelações, para vir a se resolver cabalmente na pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).  

Portanto, busquemos urgentemente o arrependimento dos nossos pecados, pois esta é a ordem do Senhor Jesus: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino de Deus” (Mt 4.17). Convertamo-nos para Deus. Voltemo-nos para Ele em arrependimento e fé e não descansemos até que estejamos certos de que recebemos o Seu perdão. Mais que isso, imploremos a Deus para que sejamos transformados e, assim, salvos. 

Decidamos hoje viver em obediência à Bíblia, pedindo sempre a ajuda do Espírito Santo, e reunamo‐nos com uma genuína igreja cristã, onde a Bíblia é pregada e vivida como a única e suficiente regra de fé e prática. Saibamos que quando Deus salva pecadores por essas verdades, Ele os envia a uma “comunhão dos santos”. Efetivamente, não há, em regra, genuínos salvos vivendo isoladamente. Todos estão comprometidos com o Corpo de Cristo, que é a igreja, visto que o método de Deus continua sendo o mesmo: “louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos(At 2.47). Ele gera novos crentes e não os deixa sem a família da fé. A igreja é o ambiente adequado para o progresso de sua fé, como veremos em nosso próximo estudo.

Perguntas para reflexão

  1. O que aconteceria à raça humana se o único caminho para Deus fosse através do cumprimento da Sua Lei?
  2. Pelo que já estudamos, o que Jesus Cristo fez a pecadores em Sua vida e em Sua morte? 
  3. Com base em uma salvação já realizada, Deus ordena aos homens que se convertam. Pois bem, o que é conversão e quais os elementos que a compõem? 
  4. Quais os requisitos que atestam a genuinidade do arrependimento? E quais os que compõem a verdadeira fé?

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