As Heresias
Não sem razão, Louis Berkhof anotou que “por grandes que fossem essas ameaças vindas de fora [referindo-se às perseguições e às acusações], havia perigos ainda maiores, que ameaçavam internamente a Igreja. Esses últimos consistiam de diferentes modalidades de perversão do evangelho”, sobre as quais nos deteremos neste ponto de nossos estudos.
Lembramos ainda que quase todas as heresias clássicas relacionadas à fé surgiram nos primeiros cinco séculos da era cristã, conhecido como o período patrístico. Neste tópico, concentrar-nos-emos nas heresias primitivas, que se desenvolveram ao longo do século II.
O Ebionismo
O conhecimento do ebionismo que chegou até nós é indireto, a partir das obras de Irineu de Lyon e Hipólito de Roma. Seus adeptos eram ascéticos que escolheram a pobreza e, segundo se cogita, receberam esse nome do termo hebraico que significa “pobres” (‘ebyiônîm). Epifânio, contudo, afirma que a seita surgiu com Ebião, após a destruição do templo, em 70 d.C., a partir de um grupo cristão judaico chamado nazarenos.
Sua característica mais marcante é a cristologia tímida, insuficiente, segundo a qual Jesus de Nazaré era apenas um ser humano separado por Deus e a quem foi dado o Espírito nos termos de um profeta hebreu, embora com mais intensidade (Dt 18.15). No dizer de Alíster McGrath, os ebionitas simplesmente não viam razão para afirmar a divindade de Jesus, e o situavam dentro das categorias judaicas,
Dessa maneira, Jesus seria entendido como análogo aos grandes profetas de Israel – seres humanos a quem o Espírito Santo concedia, de algum modo, um especial discernimento ou sabedoria. Por causa do contexto judaico dentro do qual o ebionismo surgiu, a sugestão de que Jesus de Nazaré era divino não era realmente levada em conta.
Orígenes afirmou ter conhecido dois grupos de ebionitas, um dos quais aceitava o nascimento virginal e o outro entendia que Jesus era um profeta, filho de José. No entanto, Eusébio sublinha que mesmo o grupo que aceitava o nascimento virginal ainda rejeitava a pré-existência de Cristo.
Segundo os ebionitas, o homem Jesus se tornou o Messias por haver cumprido a lei cabalmente. Jesus “ter-se-ia tornado cônscio de tal coisa por ocasião de seu batismo, quando recebeu o Espírito, o que o capacitou a realizar sua tarefa, isto é, a obra de um profeta e mestre” (Louis Berkhof). Conforme Jerônimo, eles praticavam a circuncisão e viviam segundo a lei, mas esperavam a volta de Cristo e o milênio.
Em resumo, pode-se afirmar que os ebionitas “parecem ser um reflexo contínuo da Igreja Primitiva dos judaizantes retratados em Atos e nas epístolas como oponentes de Paulo” (V. L. Walter). Eram legalistas e unitarianos, embora por razões diversas do arianismo. Não havia salvação fora da lei de Moisés e da circuncisão. Seus adeptos não aceitavam o apostolado de Paulo, a quem tinham como apóstata da lei. Exigiam a circuncisão dos gentios convertidos e negavam a pré-existência do Logos. Aceitavam o Evangelho de Mateus, a Epístola de Tiago e rejeitavam as cartas paulinas. Após a destruição de Jerusalém, em 135, os ebionitas perderam sua influência e a partir do século IV entraram em declínio.
Os Elquesaítas
Ensinavam um tipo sincrético de cristianismo, associado com judaísmo e magia. Quanto a Cristo, rejeitavam seu nascimento virginal, afirmando que Ele nasceu como quaisquer dos homens, embora o tivessem na conta de um espírito ou anjo superior, o mais elevado arcanjo ou a encarnação do Adão ideal.
Sua prática era caracterizada pelo estrito ascetismo, por grande consideração ao sábado e à circuncisão, pelo exercício da magia e da astrologia e pelas lavagens rituais, às quais atribuíam poderes mágicos. Segundo Berkhof, “com toda a probabilidade se referem a essas heresias a Epístola aos Colossenses e I Tm”.
O Docetismo
O termo docetismo é derivado do grego dokein (“parecer”), usado para se referir à heresia em comento, pela primeira vez, por Serapião, bispo de Antioquia (190-203). As primeiras menções ao ensino que posteriormente foi chamado docetismo estão nas cartas de Inácio de Antioquia (c. 35-107 d.C.). Em sua carta à igreja da Trália, Inácio escreveu: “Mas se fosse verdade o que alguns, como os ateus, que são os sem fé, afirmam, que Ele sofreu apenas aparentemente, sendo eles próprios mera aparência, por que eu estaria preso? Por que eu desejaria lutar com as feras? Morreria em vão. E estaria mentindo contra o Senhor” (capítulo 10). Aos irmãos de Esmirna, Inácio escreveu: “O sofrimento Dele foi para nos salvar. Ele sofreu e ressuscitou verdadeiramente. Não apenas na aparência, como dizem certos incrédulos (…) Quanto a mim, acredito e seu que Ele estava na sua carne mesmo após a ressurreição (…) (vide capítulos 2, 3 e 4).
Inácio escreveu nesses termos enérgicos pela mesma razão que as Cartas de João, escritas por volta do ano 90, combateram ideias segundo as quais Jesus era divino, mas com humanidade apenas aparente. De acordo com Irineu de Lyon, que escreveu no final do século II, essas heresias estavam associadas a Cerinto, que viveu em Éfeso pela época em que as Cartas de João foram escritas e, conforme Irineu, “os falsos ensinamentos de Cerinto fizeram com que João escrevesse o seu Evangelho” (Aquiles Ernesto Martínez).
McGrath cita as palavras de Norbert Brox, para quem o docetismo é a crença de que “Jesus era diferente daquilo que parecia ser”, e afirma que havia dois tipos de docetismo:
O primeiro diz respeito à encarnação de Cristo. De fato, Jesus não poderia ser propriamente humano, pois não haveria nenhum meio pelo qual o divino e o humano pudessem coexistir em um único ser. Cristo teria de ser então de natureza totalmente espiritual. O segundo diz respeito ao seu sofrimento na cruz: mesmo que Cristo fosse verdadeiramente humano, a realidade é que ele não sofreu na cruz. Dessas duas visões, a primeira parece ter sido a mais difundida dentro da igreja primitiva.
Para Cerinto, por sua vez, há que se distinguir o Jesus humano do Cristo divino. Jesus não teria nascido de uma virgem, sendo tão só o filho de José e Maria. No batismo, o Cristo divino teria descido sobre o Jesus humano em forma de pomba, capacitando-o a pregar e a fazer milagres. Entretanto, no final, o Cristo abandonou Jesus, que então padeceu e ressuscitou, enquanto o Cristo permaneceu impassível como um ser espiritual que era. Cerinto praticava a circuncisão e observava o sábado, mas rejeitava os escritos do Novo Testamento, à exceção de Mateus.
O Gnosticismo
Paulo em Colossos, em Éfeso e em Creta, e João na Ásia, enfrentaram um gnosticismo ainda incipiente, com ênfase em anjos e forte dualismo, que redundava em ascetismo, por um lado, ou em libertinagem, por outro, além da espiritualização quanto à ressurreição (cf. Cl 2.18ss; 1Tm 1.3-7; 2Tm 2.14-18; Tt 1.10-16). Em algumas manifestações desse gnosticismo iniciante, fazia-se distinção entre o Jesus humano e o Cristo, como queria Cerinto (cf. Jo 1.14; 1Jo 2.22; 4.2,15; 5.1,5-6; 2Jo 7).
O pensamento gnóstico (derivado da palavra grega gnosis, que significa “conhecimento”) chegou ao apogeu somente em meados do segundo século e consistia basicamente na afirmação de que seus adeptos conheciam a Deus por experiência e não pelas doutrinas formais. Era uma espécie de sincretismo entre o cristianismo e o neoplatonismo, tendo Walther argutamente dito tratar-se de “um furto de alguns trapos cristãos para cobrir a nudez do paganismo” (citado por Berkhof).
Entretanto, na verdade existem vários sistemas gnósticos – como os de Cerinto (c. 100), Basílides (130-150) e Valentino (115-165) -, de modo que é quase certo ser uma impropriedade completa falar de gnosticismo em termos de uma definição única.
Sobre o gnosticismo basilidiano, o Dr. Aquiles Ernesto Martínez informa-nos que
Segundo Irineu, Basílides acreditava que Jesus não tinha morrido na cruz e que Simão de Cirene tinha assumido seu lugar. Também dizia que somente através de certo conhecimento esotérico (gnosis) o ser humano poderia salvar a sua alma e libertar-se do mundo de corrupção. Para Basílides tudo o que se fizesse com o corpo aqui na terra seria indiferente do ponto de vista moral.
Valentino é sem dúvida uma das figuras mais proeminentes do gnosticismo do segundo século, tido como um fundador de um dos sistemas gnósticos. Ele nasceu no Egito, foi educado em Alexandria (onde pode ter tido contato com os ensinos de Basílides) e por volta do ano 135 se mudou para Roma, onde viveu até o fim de sua vida. Elaborou uma teologia complexa cujas linhas gerais podem ser colocadas da seguinte forma: há um Deus princípio do universo, “Abismo” ou “Pai”, que gerou éones em pares (Profundidade e Silêncio; Mente e Verdade; Palavra e Vida; Homem e Igreja etc.), que formam a “pleroma” ou “plenitude”, que, por sua vez gera outros princípios. Dentre esses princípios está “Sofia” (“Sabedoria”), que produziu, na tentativa de imitar o Pai do universo, um demiurgo (do termo grego demiurgos, “artesão”) (Efraín Agosto). Esse demiurgo seria o Deus falso do Antigo Testamento, que resolveu criar mundos para si após ser expulso do reino divino.
Muito embora o corpo seja uma criação do demiurgo, ele contém uma centelha do divino que permite uma conexão com o Deus supremo, capaz de libertar os espirituais da prisão do corpo, por isso os seres humanos podem ser considerados superiores ao seu criador. Para o valentinianismo, Cristo é a figura redentora que veio do “pleroma” – através da Mente e de Sofia, agora arrependida -, para despertar a centelha do divino, permitindo que ela se liberte do corpo e volte ao seu verdadeiro lar. Quando Logos vem, se une a Jesus de Nazaré em sua concepção ou batismo para resgatar a humanidade.
Como percebemos, é impossível falar em gnosticismo como um movimento uníssono, de modo que só se pode apontar as principais doutrinas desse movimento pulverizado, quais sejam: (1) separação entre os mundos material (produto de um deus inferior) e espiritual, estando a matéria sempre identificada com o mal e o espírito com o bem; (2) a distância entre Deus e o mundo da matéria sendo mediada por emanações do bem supremo do gnosticismo, “seres intermediários, emanações do divino, que em seu conjunto constituem a ‘pleroma’, sendo obra de uma divindade subordinada, talvez hostil” (Berkhof); (3) a salvação apenas para a alma e através da fé junto com a aquisição da gnosis (conhecimento), que Cristo comunica somente à elite espiritual; (4) como a matéria é má, Cristo não poderia ter se encarnado, daí a cristologia gnóstica se expressar pelo “docetismo”, nos termos antes expostos.
Segundo o gnosticismo, em linhas gerais, os homens estão divididos em três classes: os “pneumáticos” (a elite espiritual): os que são capazes de adquirir um conhecimento superior e uma bem-aventurança mais elevada; os “psíquicos” (membros comuns da igreja): que podem se salvar pela fé e pelas obras, só podendo obter uma bem-aventurança menor; e os “hílicos” (os gentios): os irremediavelmente perdidos.
O Marcionismo
O marcionismo era um gnosticismo em diversos aspectos, ao mesmo tempo em que se distinguia dele em outros, dentre os quais “a rejeição da especulação e da alegoria, na preocupação em organizar uma igreja e em tomar posição com base exclusivamente numa revelação escrita” (E. Ferguson). Seu nome se origina de Marcião (c. 85-160), natural de Sinope, no Ponto (a atual Turquia), que se mudou para Roma por volta do ano 140.
Marcião conviveu com a igreja cristã em Roma por quatro anos, período no qual lhe apresentou suas ideias, gerando enormes controvérsias. Seu ensino fundamental consistia em afirmar que o Deus do Antigo Testamento não era o mesmo do Novo Testamento. O Deus do Antigo Testamento era inferior, com o qual Jesus não tinha nenhuma relação. Jesus, ao contrário, teria sido enviado por um Deus até então desconhecido, caracterizado pelo amor e não pelo ciúme, marca típica do Deus judaico.
Marcião depreciava o mundo material, razão pela qual se inclinava à cristologia docética. Jesus, obviamente, não era o Messias prometido a Israel, não havia nascido de uma virgem, mas tinha aparecido no mundo já adulto. Apenas aparentou ter sofrido e ressuscitou a si mesmo. Os discípulos de Jesus, segundo Marcião, haviam mudado o evangelho e adulterado as epístolas de Paulo.
Ante as controvérsias causadas pelos ensinamentos de Marcião, a igreja lhe exigiu uma explicação formal de suas crenças e, em 144, o declarou herege, devolvendo-lhe a grande soma de dinheiro que ele havia dado a ela quando chegou a Roma. Após sua saída formal da igreja, fez seu próprio movimento alternativo, desenvolvendo sua coletânea de livros inspirados – que incluía o Evangelho de Lucas, Atos e dez cartas paulinas. Além disso, Marcião, para retirar qualquer elo entre Jesus e o judaísmo, removeu diversos textos dos livros por ele aceitos. Do evangelho de Lucas, por exemplo, ele excluiu a natividade, o batismo, a tentação e a genealogia de Jesus, além de todas as referências à Belém e Nazaré.
O gnosticismo de Marcião como um todo fomentou o antissemitismo, o orgulho espiritual e “seu ascetismo foi um dos fatores formativos do movimento ascético medieval conhecido como monasticismo” (Cairns). Por outro lado, seu ensino e seu cânon aceleraram, como reação, o processo de canonicidade do Novo Testamento.
O Montanismo
Surgido na Frígia, Ásia Menor (atual Turquia), entre 134 e 177, com Montano, o montanismo foi uma reação ao formalismo e à excessiva institucionalização da Igreja. Conforme Jesse Lyman Hurlbut, “Os montanistas… quase não podem ser incluídos entre as seitas heréticas, apesar de seus ensinos terem sido condenados pela Igreja”.
Montano era um recém-convertido que – com duas mulheres, Prisca (Priscila) e Maximila – deu início ao movimento anunciando-se profeta, como a elas. Montano e seus colaboradores tinham a si mesmos como os últimos profetas e puseram ênfase nas doutrinas do Espírito Santo e da segunda vinda de Cristo, que consideravam iminente. Montano era, para a seita, como um profeta através de quem o Espírito Santo falava à igreja, do modo como havia feito através dos apóstolos.
Berkhof resume os ensinos de Montano afirmando que salientavam a proximidade do fim do mundo, insistiam no celibato – permitindo, quando muito, um único casamento -, no jejum e na rígida disciplina moral e exaltavam indevidamente o martírio e os carismas.
Diversas facetas do anabatismo do século XVI e do pentecostalismo contemporâneo são reproduções fidedignas do montanismo. O movimento foi condenado pelo Concílio de Constantinopla, em 381, apesar de Tertuliano, um dos maiores Pais da Igreja, haver se tornado montanista.
O Monarquianismo
Os monarquianos se concentraram no monoteísmo, mas afirmando somente a unidade de Deus. No terceiro século, Paulo de Samósata, o mais notável expoente do monarquianismo, homem inescrupuloso e demagogo que chegou ao bispado da igreja de Antioquia, ensinou que Cristo era apenas humano, mas que tinha se tornado o salvador por sua justiça e por haver sido penetrado pelo “Logos” divino, doutrina que ficou conhecida como “monarquianismo dinâmico”, uma forma primitiva de unitarianismo e alinhada com o ebionismo. Segundo essa heresia, o homem Jesus foi sendo deificado na medida em que o Logos penetrava sua humanidade, por isso ele se tornou digno de honra.
Outra forma de monarquianismo (o “monarquianismo modalista”) foi proposta por Sabélio, consistente na negação da distinção das Pessoas da Trindade, com vistas a evitar o triteísmo. Ele ensinou uma trindade de manifestações, e não de pessoas, da divindade. Deus teria se manifestado como Pai no Antigo Testamento, como Filho para redimir o homem e como o Espírito após a ressurreição de Cristo. “As designações Pai, Filho e Espírito Santo seriam apenas nomes dados a três fases diferentes em que a una essência divina se manifestaria” (Berkhof). No Oriente, a doutrina de Sabélio foi chamada de “sabelianismo”; no Ocidente, de “patripassianismo”, por afirmar que Deus o Pai sofrera na cruz.
O Maniqueísmo
O nome desse movimento herético se deve àquele que foi seu principal mestre, Mani (216-277). Segundo Mani, Deus havia falado de forma fragmentada através de Moisés, Buda, Platão e Jesus, mas que a revelação completa se daria por meio dele. Ele almejava uma religião contendo elementos do budismo, zoroastrismo e cristianismo e alegava que os apóstolos haviam corrompido os ensinos de Jesus.
Conforme lição de Flanklin Ferreira,
os maniqueístas defendiam uma visão dualista da criação, acentuando a tensão entre luz e trevas. Nesse caso, Cristo seria o representante da luz, procedente de Deus, e Satanás das trevas, identificado com a matéria. Eram extremamente ascetas e sua compreensão da salvação era muito parecida com a ensinada pelo gnosticismo, no que diz respeito à vinculação da salvação ao conhecimento secreto dos passos necessários para escapar das trevas em direção à luz.
As Divisões Internas
Além das perseguições e acusações vindas de fora, a Igreja Cristã antiga enfrentou as heresias (a exemplo das destacadas acima) e as divisões internas. Logo no início, surgiram cismas em torno da disciplina e da liturgia.
No segundo século, em torno de 160, as igrejas no Oriente e no Ocidente contenderam acerca do dia em que a Páscoa deveria ser celebrada. A Igreja Oriental propôs o dia 15 de nisã, independentemente do dia da semana em que caísse. A Igreja Ocidental, através do Bispo de Roma Aniceto, defendeu que a data seria o domingo seguinte ao 14 de nisã.
Outra grande controvérsia na Igreja ocorreu no início do século IV, conhecida como “donatismo”. Em 311, um cristão chamado Donato, do norte da África, solicitou a deposição do Bispo Ceciliano, por haver sido consagrado por Félix, que fora “traditor” no tempo da perseguição sob Diocleciano. Vale lembrar que Diocleciano ordenou a queima de Escrituras. Nessas torturas, alguns não resistiam e entregavam cópias das Escrituras aos carrascos, os “traditores”. Portanto, a controvérsia donatista gerou em tornou de como os “traditores” deveriam ser tratados, passada a perseguição, e se atos litúrgicos por eles praticados eram válidos.