Divagações sobre a Declaração de Fé Congregacional da UIECB – Parte 6

Minuta do DET:Art. 25, Parte 5

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Das Ordenanças e do Culto Solene2⁵⁰

Artigo 25 – Cremos que as ordenanças do batismo com água, realizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e da Ceia do Senhor, as únicas instituídas por Jesus Cristo à Igreja na Nova Aliança2⁵1, são representações por meio das quais os benefícios do pacto da graça são visivelmente sinalizados à fé dos eleitos2⁵2, os quais, por sua vez, ao dessas participarem, professam sua fé e dedicam sua fidelidade a Deus2⁵3, e que devem ser administradas no contexto do culto público, isto é, no ajuntamento solene das igrejas para a adoração no primeiro dia da semana2⁵⁴, observando-se, conforme o ensino das Escrituras, as formas exteriores2⁵⁵, vedadas as inovações2⁵⁶, e aquela santa devoção2⁵⁷ que não se deve nem a homens nem a anjos2⁵⁸.

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250 A UIECB congrega fraternalmente igrejas e pastores que adotam concepções sacramentalistas e memorialistas com respeito ao batismo cristão e à Ceia do Senhor.

251 Mateus 26.26-28; 28.19; Marcos 14.22-24; 16.16; Lucas 22.19,20; 1Coríntios 11.23-25.

252 Romanos 6.3-11; 1Coríntios 10.16,17; 11.25,26; 12.13; Colossenses 2.11,12; Tito 3.5.

253 Atos 2.41,42,46; 8.36-38; 9.18; 10.47,48; 16.33; 19.5; 1Coríntios 11.26-29.

254 Atos 20.7; 1Corínti os 16.2; Apocalipse 1.10.

255 Malaquias 1.7-10,12,13; Mateus 28.19; Atos 2.42; 20.7,20,28; Efésios 5.19,20; Colossenses 3.16,17; 1Timóteo 2.8,9; 4.13; 2Timóteo 4.1,2.

256 Êxodo 20.4; 32; Levíti co 10.1,2; Deuteronômio 4.15,16; 5.8-10; Mateus 15.9.

257 Gênesis 24.52; 2Crônicas 7.3; 29.29; Mateus 2.2; Hebreus 12.28,29; Apocalipse 4.10.

258 Mateus 4.9,10; Atos 10.25, 26; 14.11-15; Apocalipse 22.8,9. 

Já abordamos duas questões fundamentais relativas ao batismo: a sua natureza (regeneração batismal ou não) e o seu candidato (pedobatismo ou credobatismo). A Declaração segue a Teologia Pactual, mas em uma percepção aproximada dos Batistas Particulares do século XVII (e da Segunda Confissão de Fé Batista de Londres, de 1689), conforme exposto sucintamente no estudo anterior. Essa é a razão pela qual o artigo 16 da Declaração foi modificado pelo DET no dia 10 de dezembro de 2025, revisão que o tornou basilar para o aliancismo credobatista denominacionalmente adotado e sobre o qual ainda teremos oportunidade de comentar. 

Neste estudo, começaremos a tratar sobre o terceiro ponto controvertido acerca do batismo, a sua forma (aspersão ou imersão), o que faremos abordando seus aspectos etimológico e teológico. Os exemplos de batismos do Novo Testamento e a suposta ordem de Cristo para submergir serão analisados no próximo estudo. 

1. O primeiro escrito cristão pós-apostólico a fazer explícita menção à forma de batismo foi o Didaquê (c. 90-120 d.C). O capítulo 7 afirma o seguinte: “A respeito do batismo, faça assim: depois de recitadas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Se não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, batize com água quente. Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Deve-se, segundo o autor, priorizar a “água corrente”; se não tiver, batize-se com outra; não havendo, derrame-se água três vezes sobre a cabeça. Se pudermos inferir que o batismo em “água corrente” exige a imersão, ainda assim nesse período não havia a exigência de uma única forma possível de batismo. Tertuliano (160-220) também, em “De Baptismo” (c. 200 d.C.), refere-se tanto à tríplice imersão (“in aqua mergimur”) quanto reconhece situações excepcionais, visto que a graça não estaria rigidamente vinculada à forma. Essa flexibilidade se apresenta mais proeminente em Cipriano de Cartago (200–258), que menciona batismos ministrados a enfermos por derramamento (Carta 69). Pode-se aprender dessas referências que o imersionismo pode ter sido a prática ordinária nos primeiros séculos pós-apostólicos, mas sem o rigor exclusivista tal como se apresentaria a partir do século XVI. Também não custa registrar que os escritos pós-apostólicos, mesmo os mais antigos, não constituem base sólida para decidirmos sobre práticas e doutrinas à parte da afirmação inequívoca do Novo Testamento, ou do que dele se pode razoavelmente deduzir.

2. De todo modo, é preciso destacar que não há uma relação histórico-teológica necessária entre o credobatismo (o batismo de discípulos) e o imersionismo (batismo como submersão do batizando). Os anabatistas e, posteriormente, os batistas enfatizaram que o batismo deveria ser ministrado somente àqueles que já foram regenerados, mas a forma imersionista não surgiu no nascedouro desses movimentos. O famoso batismo de 21 de janeiro de 1525 – em que Grebel batizou George Blaurock em Zúrique e este batizou outros irmãos – ocorreu por afusão. Os anabatistas “menonitas”, grupo iniciado por Menno Simons (c. 1496-1561), sacerdote católico romano holandês convertido ao anabatismo, permanecem até hoje batizando adultos professantes da fé derramando água sobre a cabeça e, a Confissão de Schleitheim (1527), anabatista, atribuída à lavra de Michael Sattler, nada diz claramente sobre a forma de batismo. 

3. Os batistas, que a princípio batizavam por afusão, passaram a batizar por imersão posteriormente. Já referimos alhures que, em 1633, a congregação de Henry Jacob, pastor da Primeira Igreja Congregacional inglesa, em Southwark, Londres, foi dividida por um grupo que defendia o batismo só de adultos, embora conservando o batismo aspersionista. Em 1636, no pastorado de Henry Jessey, nova discussão se travou na Igreja Congregacional e outros membros foram congregar com o grupo dissidente, então dirigido por John Spilsbury, considerado o primeiro pastor da Primeira Igreja Batista Particular, em Wapping, Londres. Mas a questão em torno da forma de batismo imersionista só surgiu por volta de 1640, tendo sido inserida na Primeira Confissão Batista de Londres, em 1644. Spilsbury foi o primeiro batista particular a escrever sobre o batismo dos crentes, na obra “A Treatise Concerning the Lawfull Subject of Baptism” (Um tratado sobre o sujeito legal do batismo”), publicada em 1643. O segundo pastor da congregação de Wapping foi John Norcott (fal. 1675/76), autor daquela que é considerada a obra mais popular da época em defesa da doutrina batista sobre o batismo, “Baptism Discovered Plainly e Faintfully According to the Word of God” (“O batismo descoberto clara e fielmente, conforme a Palavra de Deus”), de 1672. Ele se auto-declarava “teólogo aliancista” que veio a “crer que, de acordo com a Bíblia, os únicos objetos para o batismo cristão são os discípulos de Cristo”.

4. O tratado de Norcott apresenta a posição batista predominante do século XVII sobre o credobatismo imersionista. Na obra, ele defende que o batismo do Espírito Santo não exclui a necessidade do batismo cristão (contra os quakers), que o batismo de bebês não é bíblico (contra o pedobatismo) e que o imersionismo é a única forma correta do batismo (contra o aspersionismo/afusionismo). O imersionismo é defendido pelo autor especialmente no capítulo 4 do tratado. Ele considera, primeiro, o significado do verbo grego “baptizo”, que deve ser traduzido como “mergulhar”, “submergir”. Por isso Cristo foi “mergulhado em água (cf. Mt 3.16)”, assim como foi “mergulhado ou submerso em seus sofrimentos” (cf. Lc 12.50). Para o autor, é importante a escolha dos batismos em rios (Mt 3.5-6; Jo 3.23): “Por que o batismo precisava se dar num rio e num local onde houvesse muita água?”, senão para imergir? Segundo, o autor argumenta a partir do significado teológico do batismo como sendo “a morte, o sepultamento e a ressurreição do crente com Cristo” (Rm 6.4; Cl 2.12), bem como o revestir-se de Cristo (Gl 3.27): “Porém, não consideramos sepulto um homem quando apenas um pouco de terra lhe é aspergido sobre o rosto, mas quando é coberto por terra”; “no batismo, nos revestimos do uniforme do nosso Senhor, e ele mesmo nos enroupa da cabeça aos pés”. Adiante, afirmou, a propósito: “se não houver um sepultamento subaquático para mostrar o sepultamento de Cristo, perde-se a grande finalidade da ordenança”. Mas também disse que o batismo é, para o crente, “um emblema vívido e um sinal refrescante da lavagem de seus pecados… a lavagem do batismo é o sinal externo da lavagem do pecado feita pelo sangue de Jesus…”. 

5. Os demais argumentos do autor serão considerados no próximo estudo. Antes, porém, de nos debruçarmos sobre os apresentados no parágrafo anterior, ressaltamos que o que motivou os primeiros anabatistas e batistas a se separarem da igreja estabelecida foi a noção de “igreja de crentes e “membresia regenerada”, não a necessidade de imersionismo. Ademais, mesmo nessa época havia entre os batistas disputas sobre a essencialidade da forma imersionista como condição de recepção dos crentes à comunhão. William Kiffin (1616–1701) defendia que a Ceia do Senhor deveria ser reservada apenas para aqueles que foram batizados por imersão (comunhão restrita), o que gerou um famoso debate teológico com John Bunyan (autor de “O Peregrino”), que defendia a comunhão aberta. O ponto em debate era realmente este: para Kiffin, a Ceia pressupõe batismo e um crente batizado por aspersão/afusão não foi batizado; para Bunyan, divergências quanto ao modo de batismo não podem ser impeditivas à participação na Ceia, que tampouco pode ser usada como instrumento de uniformização denominacional. 

6. Noutro giro, a História registra casos de eminentes congregacionais que se tornaram batistas, não tanto pelo imersionismo quanto pela rejeição ao pedobatismo, pelo que este escritor pode colher em suas pesquisas. Um deles foi Isaac Backus, que, “após uma oração agonizante e intenso estudo das Escrituras, chegou à convicção de que não havia nenhuma base bíblica para o batismo infantil”, o que levou sua igreja congregacional a se tornar uma congregação batista em 1756 (Christopher Chun). O mesmo se deu com Adoniram e Ann Judson, que chegaram à convicção credobatista e trabalharam na Índia como batistas. O Dr. Kalley, por sua vez, afastou-se do presbiterianismo como forma de governo e quanto ao pedobatismo, mas não se viu pressionado a se tornar batista, nem a adotar o batismo imersionista. Quanto à forma de batismo, Kalley não a considerava da essência do rito, nem que houvesse um modo inexoravelmente estabelecido no Novo Testamento, razão pela qual não concordava que o imersionismo pudesse ser declarado como o único válido. Em uma carta a um tio da Sra. Sarah, disse em tom coloquial o seguinte: “o rito do batismo não está limitado na Bíblia a uma só forma: não há instruções a respeito do tempo, do local, da idade, do sexo do celebrante e do que recebe o batismo, da temperatura ou da quantidade da água, etc. Se esses pontos fossem de importância, Deus teria, sem dúvida, fixado o que era essencial: logo, nenhum indivíduo tem autoridade para afirmar que o modo que ele emprega é o verdadeiro e todos os outros são falsos”.

7. Feitas essas observações, consideremos os dois primeiros argumentos imersionistas de Norcott, quais sejam, os aspectos etimológico e teológico. Em primeiro lugar, propomos que o conceito etimológico do verbo “baptizo” não nos deve conduzir à afirmação que o batismo é a imersão do crente na água, pelas razões que passamos a apontar. No Novo Testamento, o verbo “baptizo” é usado para os rituais de purificação cerimonial das tradições farisaicas e, quando assim usado, a ARA o traduz para “lavar” e até mesmo para “aspergir”. Vejamos: “O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavava [verbo gr. “baptizo”] primeiro, antes de comer” (Lc 11.38). Observe-se que o fariseu ficou bastante escandalizado porque Jesus “não foi primeiro lavado antes da refeição” (“ou próton ebaptísthe pro tou aristou”). Essas lavagens foram ordenadas ao povo em geral com o propósito de purificação de situações específicas como condição de participação na adoração do Tabernáculo (Lv 15), bem como aos sacerdotes, antes que cumprissem seu ofício (Lv 8.6; 16.4), mas os fariseus passaram a exigi-las no cotidiano. Sabe-se, todavia, que esses rituais de purificação eram feitos normalmente com derramamento de água sobre as mãos, mantendo-se o padrão das aspersões antigotestamentárias (Nm 8.5-7; 19.17-20), não fazendo sentido entender o ato referido na passagem como submersão do corpo inteiro. Nessa ocasião, Jesus usa uma posição aceita pela escola de Shammai, segundo a qual o ritual de purificação exigia apenas a limpeza cerimonial do exterior de copos e pratos, como figura de uma denúncia contra a impureza do coração (Lc 11.39). Um ritual cujo efeito é tão somente a purificação exterior do copo não pode, por razões óbvias, ter sido feito por imersão. 

8. Esses “batismos” rituais dos fariseus incluíam também a lavagem cerimonial de “copos, jarros e vasos de metal e camas”, cujo sentido, ressalto, fez a ARA traduzir o verbo “baptizo” por “aspergir” e o substantivo “baptismous” por “lavagem” em Marcos 7.4: “quando voltam [fariseus e judeus] da praça, não comem sem se aspergirem [“baptísontai”]; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem [“baptismous”] de copos, jarros e vasos de metal [e camas]”. É verdade que a expressão “e camas” ou “e leitos” (gr. “kai klinon”) é uma variante textual (robustamente apoiada pelo Codex Alexandrinus, Codex Epharaemi Rescriptus e pelo Texto Majoritário), mas que aponta à implausibilidade de imersão dos objetos nos rituais referidos. Inclusive, alguns manuscritos tardios (famílias bizantinas) trazem o verbo grego “rantizo” (“aspergir”) no lugar do verbo “baptizo” na passagem, o que sugere pelo menos que parte da igreja interpretava os “batismos” mencionados como “aspersões”. Acrescente-se ainda que João 2.6 esclarece que as talhas usadas para essas lavagens rituais dos judeus podiam conter “duas ou três metretas” de água. Sabendo que cada metreta correspondia aos nossos 30 litros, pergunta-se: “como seria possível imergir um adulto em uma talha que poderia conter, no máximo, entre 60 e 90 litros?” (“Os Congregacionais no Brasil…”). 

9. O verbo “baptizo” tampouco pode significar imersão em Apocalipse 19.13: “Está vestido com um manto tinto de sangue…”. Nesse versículo, “baptizo” é traduzido, com justiça, pela palavra “tinto”. Expliquei o contexto na obra “Os Congregacionais no Brasil…” do seguinte modo: “Na sequência, descobrimos por que Cristo está com o manto “tinto de sangue”: é que ele “pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-poderoso” [Ap 19.15]. O lagar era um tanque no qual as uvas eram pisadas. Na passagem em apreço, as uvas são os inimigos de Deus, sendo pisados pelo Cristo vencedor, e o suco que “respinga” no seu manto representa a morte eterna dos inimigos de Deus. Por óbvio, percebe-se que o texto usa o verbo “baptizo” não para mergulhar ou imergir, o que deformaria, por completo, o sentido da passagem, mas para salpicar, espargir ou borrifar”. 

10. Em segundo lugar, a exigência da imersão com base no significado teológico do batismo traz enormes dificuldades. Para a posição batista, é fundamental que o batismo signifique quase que exclusivamente a união do crente com Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição. Na primeira edição da Primeira Confissão Batista de Londres (1644), o batismo aparece como contendo três significados: “primeiro, o lavamento da alma inteira no sangue de Cristo; segundo, os benefícios comunicados aos santos pela morte, sepultamento e ressurreição de Cristo; terceiro, uma confirmação da fé, que assim como certamente o corpo está sepultado sob a água e se levanta outra vez, assim também os corpos dos santos se levantarão pelo poder de Cristo, no dia da ressurreição, para reinar com Cristo”. Michael Haykin aviva, entretanto, que nas edições posteriores da Confissão (de 1646, 1651 e 1653) o primeiro significado foi omitido. Diz também que Norcott só faz referência explícita ao segundo significado para defender que, “uma vez que o batismo significa o sepultamento com Cristo… o modo adequado tem de ser a imersão, pois ‘não supomos um homem sepultado com um punhado de terra jogada em seu rosto; ele enterrado depois de coberto’”. 

11. Essa inferência suscita problemas de ordem cultural e teológica. Por um lado, na Judeia do século I, o padrão funerário dominante em Jerusalém e cercanias não correspondia ao modelo moderno de sepultamento vertical em cova profunda. O procedimento predominante entre os judeus era o sepultamento horizontal em túmulos escavados lateralmente na rocha, nos quais os corpos eram colocados deitados, longitudinalmente, e fechados com pedras grandes roladas à entrada do nicho (Mc 15.46). Se o que se deseja no batismo é a representação coreográfica do sepultamento e da ressurreição de Cristo nos movimentos da imersão, a forma é pouco ou nada útil, se considerarmos os costumes da época. Mas, de fato, o batismo é um símbolo teológico, um sinal para o crente da sua união com Cristo e dos benefícios resultantes dessa união. E, nesse caso, nenhuma forma de batismo reproduziria em sua estética os modos muitíssimo variados de como a salvação em Jesus Cristo é descrita nas Escrituras. Qual forma de batismo poderia reproduzir visualmente a dádiva de um novo coração e um novo espírito, como está em Ezequiel 36.26? Ao profeta, foi suficiente falar dessa obra como aspersão de “água pura sobre vós, e ficareis purificados” (Ez 36.25). Para usar um exemplo de Norcott, a imersão descreveria graficamente o revestir-se de Cristo (Gl 3.27) somente se visualizássemos uma “roupa” que nos cobrisse dos pés à cabeça, na qual fôssemos vestidos na horizontal, deitados sobre ela. 

12. A Declaração andou bem ao afirmar que as ordenanças “são representações por meio das quais os benefícios do pacto da graça são visivelmente sinalizados à fé dos eleitos”. Esses benefícios são profundos demais e ricos demais para serem descritos de uma única maneira e reproduzidos em movimentos corpóreos. Pelo batismo, os crentes adentram na igreja visível (At 2.41; 19.3-5) e, de sua parte, “professam sua fé e dedicam sua fidelidade a Deus”. O batismo é a profissão pública da fé em Cristo e a declaração de submissão à sua autoridade (Mt 28.19-20). Da parte de Deus, o aspecto sacramental implica em que Ele concede uma marca pela qual confirma a promessa que somos o povo da sua aliança (Cl 2.11). As graças invisíveis significadas (e confirmadas?) no batismo são o batismo com o Espírito Santo (1Co 12.13), a regeneração e a purificação operadas pelo Espírito (Tt 3.5-6) e a nossa união com Cristo em sua crucificação e ressurreição para vivermos uma nova vida para Deus (Rm 6.3-11; Cl 2.12). “O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador… Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação” (Breve Exposição…, art. 25).

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